Um novo Natal atravessa as nossas vidas. Quantas mais vezes o vivemos, quantas mais vezes o celebramos, mais o Natal se revela capaz de nos continuar a emocionar e a surpreender. Porque todos nós, de alguma forma, especialmente nesta altura, reavivamos a criança que um dia fomos. E nos surpreendemos por ainda encontrarmos em nós próprios o nosso coração de criança, que julgávamos perdido pelas contingências da vida, mas que, afinal, se continua a revelar capaz de nos alegrar e emocionar quando, ainda hoje, extasiados, contemplamos a simplicidade e a candura do Menino do Presépio.
Este Natal é celebrado pelos Cristãos Católicos no contexto do Ano da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco, sob o lema “Sede misericordiosos como o Pai”. Como explicou o Papa, “Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho. Por isso decidi proclamar um Jubileu Extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia”.
“A necessária obra de renovação das instituições e das estruturas da Igreja é um meio que deve levar-nos a fazer a experiência viva e vivificante da misericórdia de Deus”, acrescentou o Papa, reconhecendo que este é um “momento privilegiado” para que a Igreja escolha “unicamente aquilo que mais agrada a Deus”, ou seja, o “perdão”. “O que é que mais agrada a Deus? É perdoar aos seus filhos, usar de misericórdia para com eles, a fim de que possam por sua vez, como tochas acesas da misericórdia de Deus, usar de misericórdia e perdoar aos seus irmãos. Numa época de “profundas mudanças”, a Igreja é chamada a dar o seu contributo, com “sinais visíveis da presença e da proximidade de Deus”. “Este Jubileu é um tempo favorável para todos nós, fazendo-nos contemplar a Misericórdia Divina que ultrapassa todo e qualquer limite humano e consegue brilhar no meio da escuridão do pecado, para nos tornarmos suas testemunhas convictas e persuasivas. Mas só será um tempo favorável, se aprendermos a escolher aquilo que mais agrada a Deus”, assinalou o Papa, que justificou a escolha da “misericórdia” como tema central de um ano santo extraordinário, num tempo de tantas preocupações, com a necessidade de combater “o egoísmo”.
“É preciso ter em conta que na raiz do esquecimento da misericórdia está sempre o amor-próprio, o egoísmo. No mundo, isso toma a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, prazeres e honras, juntamente com a acumulação de riquezas, enquanto na vida dos cristãos aparece muitas vezes sob a forma de hipocrisia e mundanidade”, advertiu.
Que neste Natal e a partir dele, sob a égide da Misericórdia, sejamos cada vez mais capazes de nos deslumbrarmos com o outro, em quem reconhecemos um irmão, porque, como disse o Papa Francisco, “desde que aconteceu o Natal de Jesus, em cada rosto está impressa a semelhança do Filho de Deus, sobretudo quando é o rosto do pobre, porque, como pobre, Deus entrou no mundo, e dos pobres, antes de tudo, se deixou aproximar.”
Um Santo Natal, são os meus sinceros votos!











