Um novo capítulo para os livros de história

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Quando há cerca de três meses vimos barreiras físicas e policiais serem erguidas para impedir a entrada e saída de milhões de pessoas da cidade de Wuhan, na China, colocando quem ali vivia numa quarentena obrigatória, ficámos estupefactos com a tomada desta posição radical por parte do governo chinês.
Questionámo-nos porque é que em face de um simples vírus, semelhante a uma gripe, as autoridades chineses impunham uma medida tão drástica à sua população. Desconhecia-se, na altura, a enorme letalidade que esse novo coronavírus podia provocar.
A resposta não tardou a ser do conhecimento da Europa.
A Itália foi o primeiro país europeu a sentir a rápida disseminação do vírus e a sofrer com a sua elevada taxa de mortalidade. Inicialmente classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como epidemia e designada como Covid-19, perante o alastrar, sobretudo, a muitos outros países europeus e aos Estados Unidos da América, a OMS passou a defini-la como pandemia global.
E é com esta declaração que este grave problema de saúde pública mundial será certamente inscrito nos livros de história que as gerações vindouras irão estudar. Desde logo, pelos números estratosféricos de pessoas que no globo se sujeitaram ao cumprimento de medidas de confinamento: mais de quatro mil milhões de habitantes em quase 100 países, o que equivale a 52% da população mundial atual.
Depois, pelo elevado número de mortes ocasionadas pela propagação da Covid-19: mais de 120 mil mortos em 193 países, surgindo os Estados Unidos da América como o país com maior número de mortes e a Europa como o continente com maior número de vítimas mortais, e o grupo etário acima dos 70 anos com a mais elevada taxa de mortalidade.
As repercussões económicas e financeiras provocadas pelo aparecimento do novo coronavírus, com uma contração acentuada dos Produtos Internos Brutos (PIB) dos diferentes países – o PIB português poderá contrair mais de 10% em 2020 – o inevitável aumento do desemprego e da pobreza, farão também parte das páginas da história a escrever.
A isto não podemos deixar de juntar o adiamento de alguns eventos desportivos – Jogos Olímpicos e Europeu de Futebol – e a suspensão por tempo indeterminado de inúmeras modalidades desportivas, como sejam o Futebol, a Fórmula 1, a NBA ou os torneios de Ténis.
A Educação é, também, outra das áreas fortemente afetadas por esta pandemia. O fecho das escolas e o isolamento social exigido deixaram milhares de alunos sem aulas e impuseram um regresso ao passado no capítulo educativo que merecerá referência.
Em Portugal, a Telescola, emitida regularmente entre 1965 e 1987, foi agora recuperada para transmitir conteúdos educativos através da televisão ao ensino básico e ao 10.º ano, permitindo o ensino à distância, numa tentativa de reduzir as desigualdades entre alunos no acesso aos meios digitais.
E, certamente, não deixará de se fazer alusão ao facto de os países tardiamente se terem apercebido que não produziam nem possuíam material de proteção individual e equipamento médico em quantidade suficiente para enfrentar a rápida propagação do vírus.
Milhões e milhões de máscaras, luvas, batas, óculos descartáveis, zaragatoas, testes Covid-19, ventiladores, tiveram que ser adquiridos ao país onde o surto começou, à China.
Mas, para além de todos estes factos lamentavelmente reais, nas páginas da história não ficarão esquecidos, por certo, bombeiros, forças de segurança e especialmente todos os profissionais de saúde, que, por esse mundo fora, lutaram e sucumbiram no combate a um inimigo invisível que é dez vezes mais mortal que a pandemia de gripe de 2009 e também aqueles que, diariamente, continuam a realizar um extraordinário trabalho na linha da frente do combate à Covid-19.

#FicaEmCasaFaial

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