Um novo paradigma na politica

0
12
TI

TI

O Verão de 2017 trouxe uma alteração significativa à política portuguesa. Acabou o estado de graça do governo e do Primeiro Ministro António Costa. Tudo parecia correr bem até Junho. A propaganda apresentava-nos um país de novo próspero, um povo feliz e contente. A semana que passou trouxe à tona de agua as contradições da aliança das esquerdas unidas. Na semana em que o governo negociou um orçamento que aumenta o peso do Estado, a despesa pública e recusa medidas fiscais para promover o investimento privado, o PM foi à Web Summit defender a iniciativa privada e os novos empreendedores. Muitos políticos hoje em dia acham que é uma habilidade ser capaz de dizer tudo e o seu contrário, dependendo das audiências e dos interesses de momento – e Costa é o paradigma desses políticos – mas há limites para a habilidade política e o PM já os atingiu.
Voltou a falar-se da possibilidade do ministro das Finanças, Mário Centeno, ser escolhido para presidente do Eurogrupo. Na eventualidade de ser escolhido, uma das suas principais funções será dar voz à ortodoxia monetária da zona Euro. O líder do PCP defendeu, com o fervor ideológico próprio, a Revolução Bolchevique e a herança do comunismo soviético. Ora, mais uma vez, o ministro que quer liderar o Euro, vai ter o voto dos comunistas para o seu orçamento. O mundo da União Soviética e o mundo do Euro constituem dois planetas diferentes. São incompatíveis.
A paz social, tão benéfica para este governo, está cada vez mais frágil. Os sindicatos agitam-se, até o líder da UGT foi duro com o governo, e as greves multiplicam-se, o mesmo acontece por estas bandas onde a greve dos técnicos de saúde trouxe inúmeras consultas e cirurgias adiadas, mas o secretario da saúde reitera que tudo está bem. Mais uma vez, notam-se as contradições da geringonça. As coligações das esquerdas fazem demasiadas promessas para os recursos a que têm acesso. Os recursos financeiros são usados para contratar e aumentar ordenados, mas não chegam para o investimento necessário ao bom funcionamento das escolas e dos hospitais. De repente, o país onde tudo corria bem tornou-se “um país pobre, de gente velha e doente, entregue a si próprio e abandonado”. Não foi um perigoso neoliberal que o disse. Foi um ministro. Ele saberá porque acha que o país está “abandonado”. Os próximos dois anos da geringonça não serão tão felizes como os primeiros. E, como mostrou o Verão de 2017, a política muda de um modo mais rápido e inesperado do que muitos julgam.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO