Valorizar versus desvalorizar

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Todas as economias modernas focalizam a sua ação política em poucos pilares essenciais, nomeadamente na promoção da competitividade da economia local e na formação do capital humano. 

A economia Faialense não pode ficar alheia a estas ações e deve, até nas medidas mais simples, inclusivamente as sociais, ter como cerne de atuação estas permissas. Principalmente no momento atual, em que para produzir bens e serviços transacionáveis, sobretudo numa ilha de poucos recursos, quer para o mercado interno, mas sobretudo para consumidores externos, é fundamental saber e conhecer ao pormenor toda a linha de geração de valor e, para além de identificar os pontos fortes, há que atuar ao nível das debilidades, atenuando-as, tornando o caminho mais fácil à competitividade da economia, criando assim mais emprego e mais riqueza.

É por isso que fui e sou muito crítico em relação ao desempenho autárquico Faialense, que tem tido uma visão tacanha sobre como se desenvolve uma porção de terra com as nossas caraterísticas, pois não tenho visto neste desempenho autárquico aquilo que se chama formação bruta de capital fixo.

Por outras palavras, a política deve ser direcionada para investimentos em bens passíveis de uma utilização repetida e contínua em diversos processos, por períodos superiores a um ano. Por oposição, verifica-se a ausência de capacidade para saber quais os investimentos com essas caraterísticas e a tendência de, em vez de investimento, termos gastos públicos verdadeiramente efémeros, havendo portanto a necessidade de reforma do setor autárquico.

Assim, o que constato, e só pode ser por falta de conhecimento, é um vazio no atual elenco camarário, quer em promover a competitividade da economia, quer em formar capital para ser usado em anos futuros e sem saber reformar os gastos públicos.

Fazendo um aparte e havendo a possibilidade desta política continuar após as eleições de setembro próximo, entristece quem ambiciona e acredita que o Faial pode ser um sítio onde se viva com a esperança de um futuro melhor.

Voltando aos pilares de atuação, há que valorizar a hora ganha pelas pessoas e esta função só se consegue com a formação de capital humano, impondo-se cativar os nossos jovens a serem  empreendedores nas mais variadas áreas nucleares do nosso desenvolvimento, quer do setor primário, quer do secundário e obviamente dos serviços, mas agora com uns degraus acima, com tecnologia e muita informação.

Assim, face aos elevados desafios, o que se pretende para o Faial é que este produza mais, crie mais emprego sustentável, tornando-se um lugar mais apetecível para se viver. Perante esta necessidade de estar à altura dos desafios, que não são nada fáceis, temo que o futuro da economia Faialense mingue devido à falta de visão dos seus responsáveis políticos.

A título de exemplo, registo as últimas intervenções do presidente do município, desculpe, vice-presidente, cheio de pelouros e em campanha, com vista a isentar as rendas do mercado municipal para vendedores de produtos regionais.

Ora, esta ação se for analisada à luz dos princípios básicos deste artigo, está errada, pois apesar de parecer uma boa medida, é sinónimo de baixar os braços perante os problemas do mercado municipal, é dizer que não se soube promover a competitividade do mercado municipal, ao nível das condições de trabalho, de exposição, de promoção, de estacionamento, de ações de modernidade, tendo em conta a evolução das condições de comercialização. Em síntese, não  se soube valorizar.

Também o desenvolvimento de capital humano para o mercado falhou, e em vez de se valorizar para que se torne mais atrativo, atraindo os nossos jovens com novas tendências de comercialização, novos produtos, maior diversidade de oferta, utiliza-se uma medida populista, que desvaloriza o próprio mercado.

Inclusivamente, se analisarmos a base de gestão autárquica, que deve gerar condições de desenvolvimento económico e a criação de emprego, para que o município mais tarde venha a ser ressarcido do seu investimento com as rendas, taxas…, chega-se à conclusão, infelizmente, que o município da Horta está cada vez mais com uma gestão à dimensão de uma junta de freguesia. Pobre Faial!

frgvg@me.com

 

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