Novembro mês das Almas

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Passou o Pão Por Deus

Também Fies Defuntos

Penso nos meus e nos teus

Devem andar por lá juntos

 

Este mês é das alminhas

Devem estar no altar

É das tuas e das minhas

Que venho hoje recordar

 

Como são encantadoras 

Estas nossas Capelinhas

Para as gerações vindouras 

Recordarem as alminhas

 

As alminhas têm raízes

No peito do nosso povo

Que deixa a todos felizes 

Quer seja velho ou novo

 

As almas é como digo 

Quem será que as não tem?

Um parente um amigo

Um bom pai, ou Santa mãe

 

Quero ir ao Cemitério

Fazer visita aos mortais

Isto é um ato sério

Assim dizia meus pais

 

Quero levar uma flor

Sinal da minha amizade

Ofereço-a com amor

Aquém está na eternidade

 

Vou dar uma esmolinha

Vou manter a tradição

Fui criado nesta linha

Será que faço bem ou Não?

 

Rezem muito às alminhas

Assim dizia “São Mateus”

Elas são tão pobrezinhas

Só tem a graça de Deus

 

Socorrei as almas pias

As pobres almas fieis

Lembra-te em breves dias

No mesmo sitio estareis

Sufragar as pobres almas

É dever, não devoção

Quem a elas não der palmas

Não tem alma de cristão

 

O Caetano vai terminar

Em trajo de ofertório

Depois da alma andar

Acabou o purgatório

 

O meu pai já faleceu

Há quarenta e um ano

Não sei se chegou ao céu

Pobre “Manuel Caetano”

 

Como não sabia ler

Não pode mandar mensagem

O que dá a entender

Perdeu-se pela viagem

 

Naquele tempo era assim

Havia poucos automóveis

Agora é um jardim

Sabem tudo pelos telemóveis

 

Eu não sei  nada do mapa

Mas faz-me algum espanto

Se ele tivesse sido papa

Teria chegado a santo?

 

Recordar São Martinho 

Que passou a onze de novembro

Vem sempre provar o vinho

Desde criança me lembro

 

Peço a Santa Catarina

Não me faltes como o juízo

Já cumpri minha sina

Guardo vez no paraíso

 

Cumprimenta todo o povo

O Caetano do Cascalho 

E provem o vinho novo

Fruto de tanto trabalho

 

Cedros – Cascalho

 

 

 

 

 

 

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