
60 anos depois da sua erupção, o Vulcão do Capelinhos pode vir a ser classificado como Monumento Natural. A proposta partiu da Secretaria Regional do Ambiente e Turismo e gerou consenso na reunião do Conselho Regional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Mais do que um fenómeno natural, o Vulcão dos Capelinhos, marcou a História destas ilhas e das suas gentes, nomeadamente a nível social e económico. A erupção do vulcão dos Capelinhos que começou a 27 de setembro de 1957, terminando a 24 de outubro de 1958, data da última emissão de lavas apresenta-se como a paisagem mais recente de Portugal. A singularidade da sua beleza paisagística, quase que virgem, faz dela a única no panorama internacional.O Vulcão dos Capelinhos tornou nestes últimos 60 anos numa das maiores atrações turísticas do Atlântico, sendo um ponto obrigatório de paragem dos turistas. Nele encontra-se o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC) que foi nomeado pelo European Museum Forum, para melhor museu da Europa no ano de 2012.
Na semana em que o Vulcão dos Capelinhos assinala 60 anos da sua erupção, a Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo anunciou a intenção de propor a classificação do Vulcão dos Capelinhos como Monumento Natural, como forma “de conservar e manter a integridade das suas ocorrências naturais de valor excecional”.
A intenção surgiu no âmbito da reunião do Conselho Regional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, que decorreu no passado dia 26 de setembro, na Horta, e segundo Marta Guerreiro gerou consenso entre os representantes de diversos sectores e associações que marcaram presença no encontro.
“É importante destacar aqui o consenso alargado relativamente à proposta de classificação do Vulcão dos Capelinhos como Monumento Natural”, afirmou a governante no final da reunião.
No entender da titular da pasta esta classificação vai permitir “dar um destaque especial a este património geológico da Região”, lembrando que as comemorações do 60.º aniversário da erupção vão decorrer durante um ano.
Comemorações do sexagésimo aniversário termina em outubro
O sexagésimo aniversário da erupção do Vulcão dos Capelinhos vai ser assinalado com pompa e circunstância.
O programa das comemorações arrancou na passada quarta feira, dia 27 de setembro, data em que a erupção teve início, com a inauguração da exposição “Vulcão dos Capelinhos – 60 Anos de História”.
Esta exposição, patente no Aeroproto da Horta, retrata segundo a comissão organizadora “as diferentes fases da erupção, bem como as emoções vividas por aqueles que a presenciaram, despertando a curiosidade de quem nos visita para um conhecimento mais aprofundado desta paisagem mística”.
Presente na inauguração a Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro considerou o “Vulcão dos Capelinhos como um verdadeiro exemplo de um local de especial interesse científico, educacional e turístico”.
Para a governante “esta é mais uma forma de divulgar a narrativa de um vulcão adormecido, que marcou para sempre a ilha do Faial e a vida dos que presenciaram a sua imponente erupção”.
Marta Guerreiro destacou ainda o facto de esta exposição estar patente no aeroporto, enquanto “lugar privilegiado de passagem de pessoas, sejam elas residentes ou turistas que visitam os Açores, o que faz com que a história destes 60 anos do vulcão seja difundida mais além”, salientou.
Na sua intervenção, a governante destacou ainda o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos por ser o mais visitado da Região, tendo recebido 230 mil visitantes desde a sua abertura, em 2008, até agosto deste ano. Para Marta Guerreiro o centro apresenta-se “como um elemento dinamizador da atividade económica e de animação turística dos Açores, complementando os pontos de interesse turístico naturais do Faial”.
Segundo a comissão organizadora constituída pelo Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Parque Natural do Faial, Junta de Freguesia do Capelo, Câmara Municipal da Horta, RTP – Açores, Clube Naval da Horta, Núcleo Cultural da Horta, Associação Amigos do Farol dos Capelinhos e ainda diversas parcerias públicas e privadas, paralelamente às comemorações dos 60 anos do Vulcão dos Capelinhos será “lançado um novo website dedicado a este vulcão, onde, entre outros temas, é possível consultar em detalhe a agenda de comemorações e eventos”.
As comemorações do 60.º aniversário prosseguiram no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos e incluíram uma homenagem aos últimos faroleiros deste local e uma sessão solene comemorativa.
Neste dia a RTP/Açores também efectuou uma emissão especial dedicada a estas comemorações, com uma transmissão em direto no Telejornal e a passagem do filme “Capelinhos 60 anos depois”, da autoria de Paulo Henrique Silva.
Vulcão dos Capelinhos 60 anos de vida
A erupção do Vulcão dos Capelinhos marcou a história dos Açores, diversos aspetos, nomeadamente ao nível social e económico. As memória da sua actividade estão ainda bem presentes em muitos açorianos, quer nos que ficaram, quer nos muito que emigraram. Na altura o vulcão desencadeou um dos maiores êxodos emigratório para os EUA.
A nível cientifico este fenómeno vulcanológico foi o primeiro do género a ser alvo de estudo aprofundado atraindo os mais distintos cientistas mundiais ao Faial, abrindo uma nova página na história da vulcanologia.
O Vulcão dos Capelinhos, também referido na literatura vulcanológica como Mistério dos Capelinhos, localiza-se na Ponta dos Capelinhos, freguesia do Capelo, na Ilha do Faial. Geologicamente insere-se no complexo vulcânico do Capelo, constituído por cerca de 20 cones de escórias e respectivos derrames lávicos, ao longo de um alinhamento vulcano-tectónico de orientação geral WNW-ESE. O nome Capelinhos prende-se com a existência de dois ilhéus chamados de “Ilhéus dos Capelinhos” no local, em frente ao Farol dos Capelinhos.
O vulcão manteve-se em actividade por 13 meses, entre 12 de setembro de 1957 e 24 de outubro de 1958. A erupção dos Capelinhos, provavelmente terá sido uma sobreposição de duas erupções distintas, uma começada a 27 de setembro de 1957, e a segunda, a 14 de maio de 1958. A partir de 25 de outubro, o vulcão entrou em fase de repouso, embora do ponto de vista vulcanológico, seja considerado um vulcão activo.
Naquele local, em 2008 foi construído o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC) que coloca à disposição dos visitantes um conjunto de exposições, desde a erupção do Vulcão dos Capelinhos à formação do arquipélago dos Açores, dando ainda a conhecer os diversos tipos de atividade vulcânica no mundo e a história dos faróis açorianos.
Este centro é composto por um edifício da autoria do arquiteto Nuno Lopes, que se encontra soterrado, de modo a não interferir com a paisagem pré-existente e é o mais visitado dos Açores. Em 2016 recebeu cerca de 35.500 turistas e em nove anos mais de 200 mil visitantes. Em 2012 foi nomeado pelo European Museum Forum, para melhor museu da Europa.
















