1. Terminal Marítimo da Horta versus Cais de Cruzeiros

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Apresentei, numa das últimas edições do Tribuna das Ilhas, algumas ideias sobre o transporte marítimo insular, consubstanciadas nas normas comunitárias em vigor.

 

A fotografia que ilustrava o referido artigo (seleccionada pela redacção) sugere-me outros temas apesar de não desistir de voltar ao actual.

 

Assim vejamos o caso do novo molhe acostável enraizado junto á praia da Conceição cuja operacionalidade é bastante condicionada.

 

O molhe deveria, na minha opinião, abrir mais a leste visto que teria maior profundidade (poderia eventualmente atingir cotas da ordem dos -12m, em oposição actuais -8m) e maior comprimento de cais acostável. O paralelismo com a avenida 25 de Abril, não tem qualquer interesse prático. Neste tipo de obras deve prevalecer a operacionalidade sobre outros aspectos de índole arquitectónica.

 

Por outro lado o “enxerto” de uma rampa RO/RO (roll-on / roll-off) reduziu ainda mais o comprimento de cais acostável.

 

Estes constrangimentos não permitem a operação de navios de cruzeiro, de maior porte. Exemplo: o último navio de cruzeiro que demandou o nosso Porto,

Nome: MARCO POLO (IMO 6417097)

Dimensões: 176 m de comprimento; 24 m de Boca; 8,1 m de calado.

 

Fundeou ao largo!

 

 Os sucessivos parecer emitidos pelos técnicos ligados ás obras de engenharia hidráulica, á exploração e gestão portuária sempre foram ignorados por quem tinha poderes de decisão na matéria.

 

Entretanto desenvolveram-se obras em terra cuja responsabilidade foi atribuída á Administração Portuária, na minha perspectiva, indevidamente visto que estão implantadas em áreas que não estão sob jurisdição portuária. Estas absorveram verbas importantes que deveriam ter sido canalizadas para a obra marítima, e assim teríamos um bom cais.

 

A obra passou de “Cais de Cruzeiros” a “Terminal Marítimo”, e já há por aí “especialistas em transportes” a defender que os ferries transportem cargas paletizadas e a sugerir, para conseguir tais objectivos, alterações na nova gare marítima.

Ora isto é simplesmente absurdo, visto que em vez de ordenar o porto criando, terminais especializados voltaríamos à situação de mistura de cargas e passageiros, exactamente o contrário dos pressupostos contidos na fundamentação e justificação do projecto.

 

Em conclusão: As alterações impostas ao projecto inviabilizaram um cais de cruzeiros na verdadeira acepção da palavra. Porém criou-se um terminal especializado para  passageiros A introdução de operações de carga neste terminal significa mais um retrocesso no planeamento do porto e da operação portuária. Devemos pois exigir o transporte de mercadorias também em carga contentorizada, sendo todas movimentadas somente no porto comercial, e com o mínimo de baldeações intermédias e manuseamentos adicionais.


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