1 – PERDE-GANHA
JOGO de cartas que, quando “menino e moço”, era mais destinado a gente pequena, de cujas regras já nem me lembro, guardando, porém, vaga ideia de ser jogo nada fácil, talvez por isso o pouco interesse que despertava.
Julguei até que já estivesse esquecido, mas afinal irá entrar na história da Democracia pós Abril, (des) graça de ambição politiqueira de alguém que viu uma oportunidade, boa ou má, de chegar a 1º.Ministro, depois do PS ter perdido uma eleição que julgava no papo e mais segura do que o Seguro enviado, sem dó nem piedade, para uma “rosada” hibernação.
Coube a façanha, se assim se poderá chamar ao golpe, não militar, nem palaciano, mas do Senhor Costa da Câmara, nanja do Castelo, por apenas formado na arte teatral, já que aos malabarismos e equilibrismos na corda bamba são mais apropriados a certos politiqueiros, jamais a parlamentares democráticos.
2 – COFRE DE LAGOSTAS
É demasiado conhecida a história do cofre subaquático, com o polvo, a moreira e a lagosta, cada qual no seu canto, quietos, desconfiados e com medo uns dos outros.
Mas recuemos 40 anos, tantos quantos os socialistas tem vindo a fugir da extrema-esquerda como o diabo da cruz, e eis os camaradas Costa da Câmara e Cesar da Ilha apegado qual lapa, em conjuntura (fotos) para levarem à certa bloquistas e comunistas desejosos de virem à tona e de se livrarem do Coelho e do Portas, não deixando, porém, de vender caro a primeira jogada politiqueira.
Com certeza que o maquiavélico acordo separadamente a três, obrigando-os a ficarem caladinhos em São Bento, só abrindo a boca e dar palmas a governo do novo paizinho, que mandou às malvas a apregoada ética republicana.
3 – AO QUE CHEGAMOS
Assim intitulava notícia em Crónica diária, o venerando Senhor Gonçalves, no seu jornal “O Telegrafo”, para informar a nomeação de Governador substituto de Partido contrário: Hoje, no mercado as batatas estavam a “tantos” escudos o quilo.
Naturalmente assaz caras, quiçá bem mais caro terá custado o salvador acordo a porta fechada feito.
E a procissão ainda não saiu do Rato…
A propósito, algo nos suscitou estranheza: enquanto para qualquer alteração à Constituição e necessário uma maioria qualificada de dois terços, mas para derrubar um Governo chefiado por pessoa idónea, indicada pelo Partido vencedor de eleição nacional ao Presidente do Portugal e por este indigitado, basta uma maioria simples que até poderá ser de um parlamentar, como se tratasse de uma nova rica a despedir, sem mais nem menos, uma mulher a dias!.
Concluindo: Em nossa opinião o assunto em questão é deveras importante para a Democracia portuguesa, a merecer portanto merecida reflexão e consequente solução.
E para que caso análogo não se venha a repetir, os dois terços (2/3) deveriam incluir também a destituição do Governo em quaisquer circunstâncias.
TANTO BATE A ÁGUA…
…e o velho provérbio conclui: em pedra, dura que até fura!
Parece, porém, que o muito que tem sido escrito na Imprensa faialense ainda não terá sido suficiente para furar as cabeça das entidades responsáveis pela nossa governança: local e regional.
É que as medicinais águas, da rocha do Varadouro saídas, continuam a não serem devidamente aproveitadas, com maléficas consequências para as muitas pessoas que delas precisam. e vivem numa ilha que só é azul nas hortênsias.
Será de lembrar até que muitos anos antes da desejada Autonomia, a então Junta Geral do Distrito substituiu o velho balneário, alimentado por água em vasilhas às costas transportadas da milagrosa fonte, por um moderno com indispensável conduta.
O Varadouro ficou assim ao nível das congéneres da Graciosa e de São Miguel, já que Faial fazia parte dum Distrito Autónomo, naturalmente independente dos de Angra do Heroísmo e de Ponta. Delgada para tanto não precisou, como Pilatos, de lavar as mãos, deixando os faialenses à mercê da iniciativa privada, isto numa ilha de fracos recursos económicos.
Aliás, a situação em que agora se encontra, enquanto o Governo Regional tem a seu encargo os Balneários atrás referidos:
Se comecei com velho ditado, vou terminar com famosa Intervenção, muito conhecida, de Cícero no Senado romano, dirigida a deputado: “Até quando Catilina abusarás da nossa paciência”…
O BELARMINO da Piedade
O Belarmino terá sido a pessoa que mais deu largas à minha imaginação infantil e que sugestivo escrito de Victor Dores fez-me recuar umas décadas no tempo, quando com a família ia passar semanas veranis para casa da irmã de minha avó materna, a tia Amélia, na Piedade, mais precisamente à Relvinha, pequeno largo entre o Curral da Pedra e Altamora.
É que um Verão houve em que o Belarmino andava na boca das gentes da freguesia da Ponta, por sita na outra extremidade da ilha cujo futuro já terá chegado.
Tratava-se de um ainda jovem cujas aventuras da mocidade provocavam um misto de admiração e medo, especialmente nas donas de casa, embora fossem inofensivas, pois não passavam de visitas quando todos já dormiam, para matar a fome e levar alguma coisa comestível para pobres, nunca fazendo estragos.
Mesmo assim, a notícia depressa percorria a freguesia do Calhau aos Fetais, indo até à Manhenha.
Recorde-se também que sempre deixava bilhete indicativo, o que facilitava a vida à Polícia, tendo a Cadeia de São Roque passado a ser sua moradia obrigatória.
Não precisava mesmo de autorização para as suas saídas e entradas noturnas, já que nem precisava de chaves.
A propósito, anos depois, tive oportunidade de conhecer pessoalmente o irmão mais novo, Manuel Alves, quando este foi prestar serviço na Polícia da Horta e que se orgulhava de ser um guarda cumpridor.
Nunca falámos do Belarmino, e só há dias soube já ter ido prestar contas, mas ao Deus misericordioso!












