Falar de democracia
É sol de pouca dura
Mais dia, menos dia
Anda aí a ditadura
Muito melro estorninho
Passaram pelo liceu
Construíram seu ninho
E julga o mundo ser seu
Ó Santo Cristo nos valha
Só tu nos podes valer
Aos burros dá se palha
Eles tem de a comer
É como diz o ditado
E o povo tem razão
O burro esfomeado
Vem cá comê-la à mão
E assim vamos remando
Mesmo contra a maré
O povo vai comentando
Mas a cruz, leva o Zé
Lá vai o Zé carregando
Com sua cruz na estrada
Mesmo que vá cambando
Vai levando chicotada
Toca para lá burrinho
Um pouco mais apreçado
E lá vai o jumentinho
Neste país esburado
É o país que agente tem
Não se encontra culpados?
Vamos neste vai e vem
Há é muitos mascarados
O Caetano vai terminar
Estou em cima da hora
Não esqueça de orar
Por mim a Nossa Senhora
Pois eu tenho um amigo
Está sempre a meu lado
Ele é muito antigo
É Jesus crucificado
Ele não se vai ofender
Das verdades serem ditas
Até me vai agradecer
De eu as deixar escritas
Não vamos morrer pasmados
A olhar para a carteira
À espera dos culpados
A culpa morre solteira
Querem que eu vá a Lisboa
Pôr uma válvula no coração
Não se perde coisa boa
Espero de Deus o perdão
Mas não penso lá ir
Isto mete-me pavor
O corpo está a descair
Não convém novo motor
É como diz o nosso povo
Que tem grande sabedoria
Não ponhas motor novo
Em velha carroçaria
Desculpa quero pedir
Se por cá ofendi alguém
Se agente por cá não se vir
Vamos-se ver no além
Quando penso a fundo
Acho um ponto final
Só vou levar do mundo
É só o Bem e o Mal
Deus é pai de bondade
Só tenho de o louvar
Chegando à eternidade
Ele vai-me perdoar
O tempo passa a correr
Corre tanto apressado
E agente a envelhecer
Recordando o passado
Cedros – Cascalho












