Vi passar várias pessoas a caminho do voto. Fiquei pensando se não seriam elas ligeiramente irresponsáveis, sem contudo imaginar que esse ligeiramente jamais equalizaria com a dimensão da encrenca.
Como leiga que sou no assunto, vou ouvindo e calando. Sobram para minha curiosidade ficar satisfeita, duas ou tres respostas às perguntinhas que me moem os neurónios. Aí vão elas:
Por que será que cada pessoa só tem autorização de fazer uma única cruzinha lá no bendito papelinho? Pois, se ela gosta do x, do y e do z, por que não fazer tres cruzinhas ou mais? Aí, entendo, haveria um pouco de prejuízo no que respeita ao uso da esferográfica, prejuízo esse que seria suplantado pela ajuda imensa na arte de bem formar uma coligação. Se o povo é quem mais ordena, ponham esse povo a fazer cruzinhas. E tenham em atenção que quem não satisfaz o desejo de as fazer, gasta mais tinta mandando elogios simpáticos aos candidatos e correligionários.
E, pensem comigo. Cruzinha, urna, cemitério. É por falta de cruzinhas que agora os candidatos e outros que tais se sentem crucificados. Mas, atenção, não faltam cruzinhas para enfeitar o cemitério do povinho. Cada qual tem um montão delas sobre os ombros. Eu não gosto de falar sobre isto!
E agora? Será que ainda existe neste país alguém que critique os governantes, quando estão vendo eles degladiando-se para ocupar um cargo, que só lhes vai trazer sarilhos, sem benefícios quaisquer, só por amor à pátria, por amor a nós, que para aqui estamos a beneficiar, a armazenar, enfim, milionários sem saber ler e escrever, mas sabendo nadar em notas d ´euro obtidas num estalar de dedos! E tudo isto sem pensar nos governantes, numa ingratidão que nem só! Eu não gosto de falar sobre isto!.
Portugal tem sido sempre o país das revoltas, das revoluções, tudo de brincadeirinha. Os portugueses adoram esses joguinhos. Estufam o peito, dão-se ares. Até a padeira de Aljubarrota fez história, se é que existiu, a criatura. Aqueles quarenta fidalgos do primeiro de Dezembro, 1640, Terreiro do Paço, meu Deus, quanta valentia! O 25 de Abril e os cravos vermelhos! Quem levaria a sério uma espingarda bloqueada com um cravo, à frente dum soldado chateado? Agora o 4 de outubro e as coligações ! É realmente muita fruta. Eu não gosto de falar sobre isto!
Por que será que nós, portugueses, não simplificamos? É que dói pensar quanto sofrimento passam os governantes deste país, deixando seus cargos a sério para se dedicarem única e exclusivamente ao bem da Nação. A título zero. E ninguém agradece. Vociferam uns, rosnam outros. Resultado daquela montoeira de euros que chateiam bastante. É esse o motivo por que não dão valor a quem saíu da sua zona de conforto para ali estar( o leitor nem calcula a ânsia que eu tinha de enrolar uma crónica na zona de conforto). É o que está a dar no momento. Felizmente que a encaixei e agora sinto-me o máximo. Imaginem!
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