Entendam-se, o país está primeiro!

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Quando quase uma semana depois das eleições legislativas não temos um Primeiro-Ministro indigitado para formar Governo, num país frágil, muito frágil, vulnerável, muito vulnerável, é impossível que me proponha refletir publicamente sobre qualquer outro tema que não o do rescaldo das eleições.

Quando os acontecimentos políticos se sucedem em catadupa, com múltiplos atores e emitindo sinais contrários, qualquer reflexão sobre o momento presente é rapidamente ultrapassada por nova bizarrice e torna-se desatualizada da manhã para a tarde.
Mas, todavia, há factos que perduram e há gestos que marcam…
A voracidade de interpretações criativas, ditadas por uma militância cega e inconsequente, não apaga a realidade dos factos: a coligação PSD/CDS ganhou as eleições legislativas e em 40 anos de democracia portuguesa, como aliás em qualquer país democrático, quem ganha as eleições é responsável pela iniciativa de formar governo. É incompreensível, além de incoerente e contraditório, que quem perdeu as eleições se coloque agora “em bicos de pés” para chegar ao poder, maquinando estratagemas que rotulam de democráticos para estropiar o voto livre dos portugueses.
O Presidente Cavaco Silva ainda não indigitou o líder da coligação vencedora a formar Governo (apesar da nossa esquerda, e até comentadores supostamente informados e sérios, o criticarem despudoradamente por o ter feito). E podia tê-lo feito. Era, aliás, o que esperava a maioria das pessoas que se mantêm racionais e objetivas, na alucinação retórica que tomou conta do nosso país. Porém, o Presidente voltou a surpreender, pela positiva (a história não deixará de lhe fazer justiça!), tal como já antes o tinha feito, pressionando os partidos políticos para um amplo consenso nacional de governo. É coerente e coloca o país acima de todos os interesses partidários, o que parece incomodar muita gente. Qual será a resposta dos partidos…?
E a resposta esboça-se sob a forma de gestos que vão assinalando um caminho e que não se apagam. Quem esqueceu, por exemplo, o gesto de desencadear uma luta fratricida pelo poder socialista com o pretenso argumento de que a vitória do então líder era “poucochinha”, ou o de agora de, perante uma derrota estrondosa, não se demitir? É este líder, enfraquecido pela derrota e descredibilizado pela incoerência das atitudes, que traça gestos no presente em nome de um partido que se reivindica de charneira mas que está a reboque de um mau perdedor. E ele multiplica gestos que colocam em causa a herança do partido socialista de que (apesar de efemeramente) deveria ser fiel guardião mas que ameaça comprometer.

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