A família hoje…

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Esta semana, no Parlamento Europeu participei num workshop subordinado ao tema “Equilibrar a vida familiar e o trabalho”, uma reunião de sensibilização e de preparação para as celebrações dos 20 anos do Ano Europeu da Família, a comemorar em 2014.

Apreciei o convite para intervir porque o tema da “família” me é muito caro, se bem que hoje já pouco de novo se lhe possa acrescentar. Todos concordaremos que a família é o berço da nossa sociedade e que quanto mais saudável for melhores pessoas formará e uma melhor sociedade constituirá. Daí o investimento e carinho que a família deve merecer a todos os responsáveis pelas políticas públicas. 

O problema é que muitas famílias estão hoje doentes e a sofrer. Estão a sofrer pela escassez ou mesmo ausência de recursos financeiros para a satisfação de necessidades básicas, pelo impacto psicológico de situações de desemprego e a experiência da incapacidade de cumprirem mesmo as suas funções mínimas, enquanto assistem à caristia dos meios de subsistência, desde a alimentação à saúde, passando pelas despesas associadas à escolaridade, entre outros aspectos… E estão doentes também pela inconstância afectiva, pelo carácter efémero das relações, pela indiferença mascarada de tolerância, pelo desinvestimento da permissividade, mas também pela violência psicológica, verbal e física, entre outros aspectos… Além disso, as famílias estão também a desaparecer, tentando-se recriar o conceito de família para as fazer perseverar, tornando-o maximamente flexível e amplo para envolver uma disparidade de realidades humanas que acabam por evidenciar o processo mesmo de desagregação da família.

E para além de todos estes sintomas de crise também nas famílias este workshop centrou-se no desafio equilibrar o mundo do trabalho e a vida familiar como contributo para a manutenção e fortalecimento da família nas sociedades contemporâneas. No passado, quando as mulheres começaram a trabalhar, na geração dos meus pais, expunham-se às acusações de desvalorizarem e negligenciarem a vida familiar; depois, na minha geração, quando começaram a ter uma carreira, expunham-se às acusações de egoísmo e de destruição dos valores familiares; hoje, na geração mais jovem, mulheres e homens, uma vez ultrapassada a dificuldade de obterem um emprego, enfrentam o desafio de conciliar as novas exigências do trabalho, por exemplo em termos de horários e mobilidade entre outras…, com  as novas exigências da família, em termos de actividades lúdicas e culturais entre outras… complementares às profissionais.

Os tempos são exigentes no que se refere à conciliação entre família e trabalho, mas teremos também novos recursos para os enfrentar como a  parentalidade partilhada, a polivalência de funções, o trabalho à distância, entre outros…; os tempos são problemáticos no que se refere à preservação e integridade da célula da vida comunitária, acumulando-se uma série de dificuldades que fomos enunciando brevemente mas perante as quais não podemos claudicar pelo valor do que está em causa: a família. 

Celebrando esta semana o Dia Internacional da Família, dediquemos uma atenção especial à nossa. 

 

 

www.patraoneves.eu

 

 

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