A LAURISSILVA DOS AÇORES

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Nos Açores existem cerca de 1000 espécies de Plantas Vasculares, das quais 300 são autóctones, sendo 73 endémicas , isto é, únicas no Mundo, sendo que esta biodiverdidade é a maior de todas as regiões da Europa. A floresta natural dos Açores – a Laurissilva – é considerada um fóssil vivo da idade do gelo, uma vez que na última glaciação do globo apenas na região biogeográfica da Macaronésia (arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde) foi possível mantê-la preservada do frio pela ação termo reguladora do oceano Atlântico. Laurissilva é um termo com origem no latim que significa Floresta de Louros- (laurus – louro; silva – floresta).

A floresta Laurissilva pode ser dividida em quatro tipos básicos, assumindo vários aspetos e estruturas conforme a altitude e exposição, sendo que a composição em espécies é muito variada. Assim, temos a floresta de baixa altitude ou costeira, dominado pela Faia (Myrica faya) e Pau-branco (Picconia azorica), por vezes com Louro (Laurus azorica), constituídos por bosques altos de estrutura aberta (Laurissilva mésica); a floresta de média altitude, abaixo dos 500m, dominada pelo Louro (Laurus azorica) e Pau-branco (Picconia azorica) nas zonas baixas e Sanguinho (Frangula azorica) em altitude, possuindo grande nível de biodiversidade estrutural e florística (Laurissilva húmida); a floresta de altitude (acima do teto de nuvens), dominada pelo Azevinho (Ilex perado ssp. azorica), o Louro (Laurus azorica) e o Cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), constituídos por floresta nanificada (de pequeno porte) pela disponibilidade de nutrientes e pelo vento (Laurissilva híper-húmida); e os bosques de cedro em planaltos ou encostas muito expostas com precipitação abundante e encharcamento permanente.

Nas espécies predominantemente costeiras destaca-se a Vassoura ou Urze (Erica azorica), que é uma planta pioneira e extremamente importante na evolução da vegetação das ilhas, visto ser normalmente a primeira a colonizar áreas sem vegetação. Com o tempo, a acumulação das folhas e ramos no solo leva a um aumento do teor em matéria orgânica, tornando-o mais apropriado para outras plantas mais exigentes como a Faia ou o Pau-branco. A Faia é um arbusto de porte arbóreo que poderá ter dado o nome à ilha do Faial, visto que aqui as florestas de faia (faiais) seriam abundantes.  Ainda nas espécies costeiras destaca-se a Vidália (Azorina vidalii), uma das mais emblemáticas dos Açores, e cujo género Azorina é o único endémico dos Açores.

Da zona de média altitude destacam-se as espécies herbáceas (plantas de caule não lenhoso e maleável) Não-me-esqueças (Myosotis azorica) que é uma das mais raras espécies dos Açores e da Europa, encontrando-se em risco de extinção e ocorrendo apenas naturalmente nas ilhas das Flores e Corvo, e a Veronica dabneyi, cujo nome dabneyi foi dado devido a ser cultivada como ornamental nos jardins do Cônsul Dabney; esta espécie foi registada pela última vez em 1939 na Caldeira do Faial, foi mais tarde dada como extinta e reencontrada em 1999 na ilha das Flores e depois na ilha do Corvo. Ambas as espécies encontram-se atualmente conservadas no Jardim Botânico do Faial.

Das zonas de altitude (acima dos 700 metros de altitude), destaca-se o Queiró (Daboecia azorica), a Rapa (Calluna vulgaris) e a Erva-úrsula (Thymus caespititius), podendo as duas primeiras ser facilmente encontradas no trilho da Levada e na Caldeira.

O ecossistema da Laurissilva açoriana está nos dias de hoje extremamente ameaçado pelas atividades humanas, sobre-pastoreio, flora invasora e alterações climáticas e constitui um património valioso que importa preservar.

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