O rótulo milagreiro da “renovação” justifica hoje – supostamente – um sem número de opções feitas nas mais variadas instituições. Tomada como um bem em si mesma e acriticamente utilizada, branqueia qualquer acção, mesmo as que desafiam o mais elementar bom senso.
Por isso considerei pertinente, na minha última crónica, fixar-me sobre esta apregoada renovação para denunciar a perceção tacanha que grassa entre nós da sua realidade reduzida a uma “mudança de caras”. Argumentei também que a renovação só pode ser entendida como um meio para alcançar um fim, jamais podendo constituir um fim em si mesmo senão sob uma perspetiva atrofiada das suas virtualidades. Com efeito, a renovação como fim reduz-se a um ato de substituição que se vai replicando à margem de qualquer projeto: substitui-se o que está pelo que vem aí e este pelo que está para vir e assim sucessivamente, sem outro objetivo para além da própria mudança, jamais se esgotando na efemeridade a que está condenada.
Mas se a renovação é um meio pertinente, uma estratégia eficaz que deve ser adequadamente implementada para a realização de fins reconhecidos como válidos, não deixa de exigir também algum discernimento… Ora, não é ao que temos assistido entre os apologistas deste novo culto que o praticam num confrangedor ritual de exclusão.
Estes arautos da renovação, mergulhados na espiral da substituição “do que está pelo que vem aí e este pelo que está para vir”, sentenciam que “o que foi tenha deixado de ser e que o que é venha a deixar de ser”, numa crescente eliminação de apoiantes e num progressivo encolher de possibilidades… Este já não me faz falta, aquele ainda me atrapalha e o outro até me incomoda. “Renove-se!”, leia-se “exclua-se!”
Esta lógica do descartável é epidémica. A instituição mirra, o seu vigor desfalece, a sua representatividade esboroa-se … É a renovação por exclusão!
Pelo contrário, a estratégia da renovação pela inclusão é agregadora de ideias e de vontades, geradora de interesses e de motivações, atraente para uma pluralidade de pessoas, cujas competências estimula, cujas capacidades desperta, cuja criatividade espicaça, cujo empenho, dedicação e mesmo sacrifico pela concretização de um ideal faz irromper. Dêem-nos um projeto válido e a renovação pela inclusão impor-se-á, não pela força mas pela convição!
Em todo o mundo, mas mais necessariamente em pequenas comunidades como os Açores, a renovação só deverá, só poderá ser uma estratégia de inclusão. A qualquer instituição a que nos refiramos, somos sempre demasiado pequenos para podermos prescindir dos que já estão, somos sempre demasiado poucos para podermos dispensar quem quer que seja.
E se alguém insistir na renovação por exclusão…, só resta uma solução: renovar o renovador!
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