Aos que se sentem penalizados…

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Quem se interessa pelas pessoas em primeiro lugar, está atenta(o) às suas ideias, mas também aos seus desabafos. Não precisa fazer da sua atividade diária ou do seu pensamento pessoal uma montra pública, a menos que entenda que tal poderá contribuir para o progresso ou o bem-estar da sua comunidade ou de alguém, não colidindo estes. Efetivamente, são as pessoas que a(o) conhecem que se decidem, por vezes independentemente das forças partidárias que representam – se estivermos a falar de funções políticas -, a procurar a sua ajuda, o seu apoio, o seu conhecimento, o seu interesse. 

Expor dificuldades ou apresentar dúvidas, neste tempo em que o paradigma económico internacional se esboroou, em que o poder administrativo se revela lento para a urgência de quem sofre, em que a escala de princípios e valores se apresenta, não raras vezes, sobreposta por variadas motivações/razões e em que nas nossas ilhas se procura com afinco atenuar os efeitos desta desorientação global, tornou-se parte do quotidiano de muitas pessoas. A resposta a cada caso deve permanecer reservada pela confidencialidade dos documentos e das conversas e jamais levada à praça pública, ainda que essa praça seja um grupo fechado. 

Vem isto a propósito de vivermos um tempo atónito, em que o ser humano assiste, perplexo, a uma avalanche de interpretações sobre os mais variados assuntos, à publicação e publicitação das mais diversas opiniões, e sente, em contraponto, a necessidade do contacto pessoal, direto, próximo e procura nas pessoas individuais e/ou coletivas e nas instituições resposta para as suas inquietações e alguma segurança no meio de uma perturbação mundialmente generalizada.

Vem isto também a propósito de nem sempre o cidadão encontrar em quem procura as soluções adequadas e em tempo útil. Quem espera, desespera. E quem precisa recorre a quem está mais perto. E quem está mais perto, entende melhor, mas nem sempre tem os meios nem as competências para acudir às necessidades. E, agora mais do que nunca pelas razões acima aduzidas, quem tem as competências nem sempre tem os meios disponíveis no momento certo. E assim se vai instalando a descrença de muito boa gente, que desiste de acreditar que há quem se envolva em diligências, se preocupe genuinamente e se incomode incomodando também outros com assuntos que, pura e simplesmente, gostaria de ver resolvidos a bem e por bem.

Conheço pessoas, muitas pessoas, que verdadeiramente estão aflitas e que aguardam ainda respostas e conheço muitas também que estão a tentar encontrar essas respostas e abreviar essas decisões. As segundas cumprem a sua obrigação como profissionais, como voluntárias, como servidoras da res publica ou como cidadãs. São seres empenhados que lamentam não ter mais e melhor para dar e que procuram alinhar o seu rumo ao encontro das pessoas. Acreditamos nelas.

É, portanto, para as primeiras que me dirijo, que merecem igual respeito e se sentem incompreendidas, defraudadas, injustiçadas, decepcionadas, sem voz. A minha mensagem é muito simples: não deixem de acreditar nem deixem de mostrar, sempre que possível a quem de direito, o vosso sentir e a vossa história. As instituições contam também convosco para serem alertadas e para reparar erros. A bem de vós e do seu bom nome.

 

alziraserpasilva@gmail.com

 

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