Aquilo é pior que falecer!

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Refiro-me aqui ao atual programa do RAP. Após tanta propaganda acerca dos cinco minutos que a TVI nos propunha oferecer diàriamente com o Sr. Ricardo Araújo, eis que chegou o dia e, nós, frente à TV, ficámos boquiabertos. Como é possível? Será que ele ensandeceu? Será que virou um chato e não teve conhecimento? Será que ninguém mais deu por isso? Será que alguma criatura reparou que o rei vai nu? 

O gato fedorento era um programa interessante. Divertia –nos. Agora chegou o reverso da medalha. Entedia-nos. Como aconteceu? Será que o indivíduo viajou lá pela chatolândia e pegou o vírus? Graças a Deus que o tempo de antena é curto, caso contrário, o stresse e o mau humor iriam crescer e, sei lá se o cérebro estaria disposto a produzir serotonina suficiente para debelar o mal? 

Bem, estou falando naquilo que penso e sinto, não sei a opinião de mais ninguém. Há gostos para tudo. Até, de início, coloquei em causa os meus neurónios. Teriam ido de férias? Ou será que aquilo a que penso ter assistido, não existe mesmo? Será sido um pesadelo? 

 O objetivo pretendido por qualquer programa será atingir o espetador. E aí, quem o faz, aposta em todo o seu esforço para que ele seja convincente, agradável, apelativo, mas pode perder completamente o controle sobre ele, a partir do momento em que ele atinge o seu objectivo, digo o espetador.

Falo com a plena consciência que tudo se passa assim. Com quem escreve é absolutamente o mesmo. O espectador, o leitor, seja lá quem for, vê ou lê de formas diferentes. E fá-lo segundo a sua formação, a sua informação, as suas ideias, os seus quereres, até mesmo a sua boa ou má disposição.

Entendo que não é possível haver de maneira alguma alguém que possa ter a presunção de conseguir, apresentando um trabalho seletivo, ter a ingenuidade de levar ao público exatamente o que desejaria, conseguindo o apoio de todo o mundo.

Sei e como eu sei, não ser possível, principalmente quando se é chato de fabrico, ou mesmo chato ocasional, mandar a própria chatice para o público, armar uma palhaçada sem ar nem graça, ao mesmo tempo aguardando que alguém com alguma sensatez a interprete nas entrelinhas e opine a favor. 

Sei também que todo o chato tem horror à solidão. E, sendo assim, procura chatear quem o rodeia. E, aí, só Deus poderá entender e perdoar e, quem sabe reservar-lhe um cantinho no céu. Ou um cantinho no inferno.

Por tudo isto, estou dando o benefício da dúvida. Mas continuo na minha. Não gostei daquele programa. Serão só cinco minutos. Mas de chateação. Os olhares, os gestos, os risinhos, os esgares… A simulação de sensatez como loucura, na busca da fama. O “botar” palavras fora, antes de pensar. O tentar bem vestir as asneiras. Enfim… Um desfile de despautérios, querendo travestir o rei. Mas ele vai nu!

Deixei de assistir à coisa. Mas compreendo as razões. Algumas. A idade! A fama! A emergência! RAP, você está perdoado!

 

OBS: À  pessoa que no Dia da Mãe teve a sensibilidade e a delicadeza de colocar na campa da minha Mãe uma flor natural, entre as outras, o meu profundo agradecimento. Em nome dela, a minha Mãe. 

 

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