Artes de Pesca II

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 Nas nossas Ilhas a pesca da lula é exercida por pequenas embarcações artesanais junto às costas, com tripulações constituídas por um, dois, três ou quatro companheiros que utilizam linha de mão e amostras, vulgarmente conhecidas por “zagaia” ou “toneira”, com embarcação ancorada numa profundidade que pode ir das 50 até as 150 braças (1 braça = 1,82m). No mar dos Açores estão identificadas várias espécies de lulas, todavia, a mais pescada é a Loligo Forbesi, que em média atinge meio metro considerando só o manto, vivendo de 1 até 2 anos. O seu valor comercial representa, ou melhor, representava uma importante fonte de rendimento para os pescadores, que  nos meses de inverno, junto à costa, dedicavam-se a esta arte de pesca. Os preços na primeira venda em Lota em anos anteriores oscilavam entre os 3 e os 7€ por kilo, presentemente não vão além dos 3€, o que tem sido factor desmotivador para os pescadores. Segundo consta os mercados estão super abastecidos de lula, embora de espécies diferentes, proveniente de países cujas capturas nos últimos tempos foram incrementadas. Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, África do Sul, Indonésia, isto para referir os mais importantes, desenvolveram uma significativa frota industrial dedicada à captura destes cefalopodes e em tempo de crise o preço conta, quantas vezes em detrimento da qualidade. Estas frotas, que nada tem a ver com as nossas pequenas embarcações, pescam grandes quantidades com meios automatizados e em muitos casos utilizando mão de obra barata, conseguindo assim um produto final com custos extremamente baixos que inundam os mercados, numa concorrência desleal. As frotas da Argentina e Uruguai pescaram em 2008, respectivamente, 260.000 e 16.000 toneladas, que na sua quase totalidade tratam a bordo, descarregando lula congelada e devidamente embalada, pronta a seguir para os mercados de exportação, onde se inclui o Europeu, competindo com os 680.000 kg de lula dos Açores pescados em 2008, que renderam aproximadamente 3.800.000€. Durante a época de pesca, nos Açores normalmente pesca-se quantidades razoáveis deste apreciado cefalopode, que é abundante junto às costas e a baixa profundidade, não se conhecendo qualquer diminuição do stock por via da pesca sustentável, efectuada unicamente com processos tradicionais. Esta poderia ser, a par de outras, uma pescaria que bem gerida contribuiria para viabilizar algumas das embarcações que actualmente enfrentam dificuldades, por exemplo na pesca do goraz. Claro que aqui o grande problema é o preço baixo que os pescadores conseguem na venda em Lota. Com intuito de melhorar os rendimentos dos pescadores, o Governo Regional, via Lotaçor, criou uma empresa (Espada Pescas) destinada à compra e venda de pescado, inclusive lula. Outra medida que bem podia ter lugar, a nível regional e nacional, seria a de publicitar nos meios de comunicação social (televisão, rádio e jornais) as vantagens do consumo de peixe e a excelente qualidade do pescado proveniente do mar limpo e não poluído dos Açores.

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