Bloco propõe que governo garanta acesso a computador a todos os alunos para ensino à distância

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O Bloco de Esquerda vai propor que o Governo garanta o acesso a computador portátil a todos os alunos dos Açores, a começar pelos alunos das escolas já encerradas, porque “o ensino à distância sem computador é uma miragem”. “Continuam a existir alunos em ensino à distância sem acesso a equipamentos informáticos, alguns desde novembro!”, alertou hoje o deputado António Lima, em conferência de imprensa.

“Não pode haver alunos sem acesso a computador em casa”, afirmou o líder parlamentar do Bloco, que acrescentou que “o Governo tem que garantir que em cada casa, para cada aluno, há um computador. Não é um telemóvel, que neste momento está a ser contabilizado pelo Governo como se fosse um computador, e onde os alunos têm que fazer trabalhos, o que é impraticável”.

“Há uma ilha em que todas as escolas estão fechadas”, disse António Lima, referindo-se a São Miguel, por isso “é urgente fazer um levantamento e adquirir os computadores necessários e atribuí-los aos alunos sob a forma de empréstimo ou como o governo entender”.

Para as restantes ilhas é necessário fazer também o levantamento atempado e ter os equipamentos preparados para o caso de voltar a ser decidido o encerramento das escolas.

Recorde-se que em maio do ano passado foi aprovada no parlamento dos Açores uma proposta do CDS que criava um vale tecnológico para aquisição de computadores para todos os alunos dos Açores, “que é muito além do que estamos a propor”. “O CDS agora integra o governo e continua tudo na mesma”, lamenta o deputado António Lima.

A prova de que nem todos os alunos têm acesso a computador, e que o Governo sabe disso, é a comunicação enviada aos pais esta semana pelo conselho executivo de uma escola de Rabo de Peixe que dá orientações aos pais dos alunos sem acesso a meios informáticos para se dirigirem à escola para levantar e posteriormente entregar fotocópias de fichas de trabalho.

“A vila de Rabo de Peixe está em cerca sanitária e com dever de recolhimento, mas os pais têm que se dirigir à escola para ir buscar fichas de trabalho para os seus filhos. É uma cerca sanitária que, para aqueles que têm mais dificuldades económicas, que não têm acesso aos meios digitais, não existe, porque têm que sair de casa para se dirigir à escola que está encerrada”, assinalou António Lima.

“É uma injustiça e não faz qualquer sentido”, acrescentou.

O Bloco de Esquerda vai levar também ao parlamento uma proposta para a realização de um estudo para aferir os impactos do prolongado encerramento das escolas na ilha de São Miguel na aprendizagem dos alunos, e encontrar estratégias de curto prazo para atenuar os impactos negativos que esta situação provoca, assim como, a longo prazo, perceber que impactos esta situação tem a nível social e de inserção na comunidade e no mundo do trabalho, por exemplo.

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