Mesmo antes da Autonomia, Ponta Delgada, por vezes, poucas, era referida como Capital dos Açores, especialmente por continentais, quiçá por sua dimensão física e humana, comércio e indústria, como se fossem razões indispensáveis.
Por exemplo, o caso de Washington, Brasília que até foi construída propositadamente para a Capital do Brasil, mormente por sua privilegiada situação no centro do País, o que não sucedia com o Rio de Janeiro e S. Paulo.
Dislates a que já nos habituámos mas reagimos quando passam as marcas, como aconteceu agora em livro escolar, até com a desculpa de mau pagador por parte do respectivo Ministério que, em vez de remediar o incrível lapso para futuras edições, deveria ter retirado das escolas a dita edição, doesse a quem doesse.
Lá diz o ditado: grandes males, grandes remédios.
PALÁCIO DA MADRE DEUS Ainda residência oficial do Representante da República e quiçá do futuro Presidente dos Açores
Talvez para os livreiros continentais, isso tenha sido coisa de somenos importância.
A propósito, na Eleição regional de 1980, candidato centrista por São Miguel, em campanha porventura convicto de maior popularidade, foi ao ponto de afirmar que Ponta Delgada era a Capital dos Açores.
Ora, como na altura presidia à Comissão Política do CDS no Faial e, por dever de ofício, era também candidato pela minha Ilha, não será preciso dizer que, amigos mais da onça já que votavam nos laranjas e socialistas, entraram, mesmo assim, em contas comigo.
Mais por não ter achado graça, telefonei ao dito candidato que, em vez de desculpas, respondeu com o amável argumento: Ponta Delgada é de facto a capital, enquanto Angra do Heroísmo é a capital da cultura, e para me contentar, a Horta é a capital do Faial.
Não o mandei à fava, por no fundo ser amigo, mas o cartaz regional em que trazia também a sua foto, foi colocado apenas na Praça dos Cedros, só por ser adepto da FLA…
Ainda sobre o assunto, ouvi recentemente uma douta opinião que, face à provável extinção do cargo de Representante da República, cavalo de batalha do PSD e do PS, deixaria a Terceira fora do contexto político/autonómico que vinha a ser desde o inicio: o Ministro da República em Angra do Heroísmo, a Assembleia Legislativa na Horta e o Governo Regional em Ponta Delgada.
Assim, para que se verificasse o necessário equilíbro, impunha-se a criação da Capital dos Açores sendo Angra do Heroísmo a Cidade mais indicada, até por sua história, como capital que foi dos Açores e do Reino.
Ousamos ainda acrescentar mais dois atributos: Cidade Património Mundial e Sede do Bispado Açórico.
Um senão, porém, o facto de ser uma cidade mais no papel ou honorífica.
Mas acabava-se de vez que tal designação continuasse por aí a ser dada indevidamente a torto e a direito.
E para que fosse a cereja em cima do bolo impunha-se também a instituição da figura de Presidente da Região, com residência na Capital dos Açores, em Angra do Heroísmo, naturalmente.
O autor não escreve de acordo com o novo acordo ortográfico











