Cisaltina Martins ou a poética da afetividade

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Victor Rui Dores
Victor Rui Dores

“Sou de mar e de montanha.”
(pág. 72)

Há um significativo número de mulheres que, nascidas no Faial ou tendo esta ilha como sua, cultivaram a poesia de forma empenhada e consistente: Francisca Cordélia de Sousa (1781-1845), Maria Cristina de Arriaga (1835-1915), Hermenegilda Lacerda (1841-1895), Helena Graça Rodrigues (1870-1949), Frances Susan Dabney (1856-1918), Silvina Furtado de Sousa, pseudónimo Iracema, (1877-1973), Ana Adelina Bettencourt da Costa Nunes (1892-1977 ), Luiza de Mesquita (1926-2002) ), Otília Frayão (1927-2000), Fátima Toste (1941-2002), Cisaltina Martins (1942- ), Maria Eduarda Rosa (1947- ), Alzira Silva (1955- ), Ângela Almeida (1959- ), Marta Dutra (1974- ), entre outras.

Uma manifesta capacidade de explorar universos femininos não torna a poesia destas autoras naquilo a que erradamente se poderia chamar de uma “escrita feminina”, ou “escrita no feminino”. Numa altura em que tanto se fala do empoderamento (do inglês empowerment) feminino, há quem pergunte se haverá uma escrita feminina por oposição a uma escrita masculina? Não tenho tempo nem pachorra para estéreis discussões académicas. Para mim é ponto assente que não há escritas masculinas nem escritas femininas – o que há são bons e maus escritores, bons e maus poetas, bons e maus livros, boas e más escritas. No fundo o que faz a grandeza da literatura é caberem nela todas as paixões do homem e da mulher.

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