Coletes amarelos na ilha do Faial?

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As redes sociais são hoje um dos fenómenos mais preocupantes para o mundo. Ora se convocam manifestações por intermédio do Facebook, ora se criam grupos no Instagram que apelam e incitam à violência, ora se vencem eleições através do WhatsApp, ora se publica online algo para visualização de milhares de pessoas no segundo imediatamente a seguir aquele em que o acontecimento ocorre.
E foi precisamente isto que sucedeu no apelidado “Dia das Montras”, também conhecido como o “Dia das Sopas”, por ocorrer o concurso das mesmas integrado nas festividades de Natal.
Apesar de todas as sopas estarem muito saborosas e, por esse facto, rapidamente terem deixado de ser suficientes para quem pretendia aconchegar o estômago, não será delas que tecerei algumas palavras.
Será sim de uma fotografia tirada nesse dia, próximo das bancas das sopas, que mostrava uma pessoa vestida com um colete e dizia que já tinha chegado à ilha do Faial o movimento dos “Coletes Amarelos”.
Esta fotografia, que se trata de uma mera brincadeira, uma aparente foto inocente, poderia servir perfeitamente de alerta, obrigando-nos a uma séria reflexão acerca do significado que atualmente o “colete amarelo” encerra.
Os “Coletes Amarelos” surgiram há alguns dias em França, sem quaisquer conexões políticas e representam o descontentamento das classes, média e baixa, francesas contra a política económica do Presidente Macron.
Em Portugal continental ainda não surgiu esse movimento, mas já temos laivos do mesmo, tal é o surto de greves e a agitação social que vai marcando o dia a dia do país. Tivemos os guardas prisionais em greve, que quase originaram motins nas prisões e uma paralisação nacional dos comboios.
Também os enfermeiros se mantêm em greve, tendo causado o adiamento de mais de cinco mil cirurgias. E o que dizer do sistema judicial? Os juízes estão a fazer greve em 21 dias intercalados até outubro de 2019 e os funcionários judiciais também.
E nos portos? A greve dos estivadores, sobretudo no Porto de Setúbal, prossegue, deixando milhares de carros em terra. E isto sem falar do Metro do Porto que fez greve pela primeira vez e os bombeiros profissionais que vão parar a partir do dia 19 de dezembro.
Por cá os ânimos estão hoje bem mais calmos. Talvez porque o poder político se tenha começado a aperceber da urgência em corrigir as assimetrias existentes e arregaçou mangas, e possivelmente porque novas eleições se aproximam a passos largos.
As sucessivas manifestações dos professores, exigindo a recuperação integral do tempo de serviço, já foram silenciadas por Vasco Cordeiro, dando a esta classe aquilo que reivindicavam, mas contrariando os argumentos desde sempre por ele invocados. Entretanto, a proposta apresentada pelo PS sobre o apoio prestado aos alunos com negativas durante as férias poderão desencadear novas manifestações por parte destes profissionais, dos alunos e inclusive dos pais.
As exigências dos faialenses por melhores acessibilidades aéreas, culminadas com duas grandes manifestações em frente à Assem-bleia Legislativa, já fazem parte da história, pois a reivindicação do aumento da pista do aeroporto parece ter sido atendida no Orçamento de Estado, ou será que não?! No entanto, as ligações de e para a ilha do Faial continuam a aguardar uma solução definitiva e poderão levar novamente à rua os faialenses com ou sem acessórios de cores fluorescentes.
As greves na função pública também pararam, agora que os sindicatos viram ser aceites as suas exigências, sobretudo na parte respeitante ao aumento da remuneração complementar. Ao Governo Regional falta apenas solucionar a situação dos enfermeiros, já que os trabalhadores dos hospitais já foram equiparados aos funcionários públicos.
Apesar de toda esta aparente paz social, a foto postada, mesmo que em jeito de brincadeira, não deixa de incorporar um alerta aos governantes locais e regionais para um possível descontentamento na população faialense e açoriana, a qual, se não houver inversão de políticas, poderá aderir à moda do chamado “Colete Amarelo”. 

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