Colóquio organizado pela UMAR para reflectir a Discriminação Sexual

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No âmbito da campanha contra a violência de género, que decorreu entre os dias 25 de Novembro e 10 de Dezembro, a UMAR – Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres, através da sua delegação do Faial, organizou na passada quarta-feira, no auditório da Escola Profissional da Horta, um colóquio destinado a reflectir sobre a discriminação sexual, nas suas várias dimensões.

Presente nesta iniciativa, o vice-presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Goulart, falou dos planos da autarquia para criar um plano municipal de promoção da igualdade de género.

 

Tendo como ponto de partida o mote “Discriminação Sexual… Transgressão ou Libertação?”, este colóquio reuniu várias pessoas no auditório da Escola Profissional da Horta – incluindo alguns alunos deste estabelecimento de ensino – para analisar as várias manifestações de discriminação sexual patentes na sociedade actual.

De acordo com Carla Mourão, responsável da UMAR no Faial, este tema, apesar de não estar propriamente dentro da área de intervenção da Associação, está com ela relacionado: “a UMAR não trabalha propriamente a discriminação sexual, mas tenta que haja uma reflexão e uma construção de saberes e conhecimentos. Trabalhamos na prevenção e na igualdade de género, mas também na área da discriminação social, por isso nos pareceu pertinente este tema, que, sobretudo no Faial e nos Açores, não é muito discutido. Acho que é importante quer os jovens quer a comunidade estarem abertos a estas questões”, referiu.

Em declarações ao Tribuna das Ilhas, à margem do colóquio, Carla Mourão abordou as variadas temáticas dentro da discriminação sexual trazidas à reflexão por esta iniciativa: “decidimos abranger, dentro da discriminação sexual, a parte da orientação sexual, da desigualdade de género, a sexualidade no deficiente, a vertente legal e também a parte religiosa”, explica, acrescentando que, dentro do tema, há “há várias dimensões que têm de ser trabalhadas”.

Para Carla, a discriminação sexual no Faial não é uma realidade abstracta, mas até bastante concreta, com a qual já teve de se deparar várias vezes na sua actividade profissional de psicóloga: “já me deparei em consulta com pessoas que têm uma orientação sexual diferente do comportamento padrão, são homossexuais, e isso traz-lhes problemas em termos de trabalho e de sociedade, e condiciona o seu comportamento em relação aos outros, pois tendem a isolar-se e a esconder-se”, diz.

A abertura deste colóquio esteve a cargo de José Leonardo Goulart, vice-presidente da Câmara Municipal da Horta, que salientou a importância de criar sinergias entre várias instituições para combater a discriminação sexual enquanto forma de discriminação social.

O autarca lembrou que, apesar da igualdade de direitos estar consagrada, a discriminação ainda acontece nas sociedades como a nossa, e só uma mudança de mentalidades poderá contribuir para a sua erradicação: “todos devemos fazer um esforço para eliminar atitudes discriminatórias”, salientou. Da parte da autarquia faialense, esse esforço materializa-se no projecto de criação de um plano municipal de promoção da igualdade de género que ajude a combater as diferenças que ainda existem entre homens e mulheres.

O colóquio arrancou com uma abordagem à história da homossexualidade e à sua conotação, durante muito tempo, com questões patológicas, pela psicóloga Ana Luísa, seguindo-se uma palestra sobre as orientações sexuais minoritárias, designadas pelo acrónimo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais), a cargo de Terry Costa, do movimento Pride Azores. As políticas adequadas para o combate às desigualdades de género também estiveram em análise, numa intervenção a cargo de Maria do Céu Brito, bem como as questões jurídicas e constitucionais relacionadas com a discriminação sexual, a cargo de Fernando Menezes.

João Duarte abordou o tema “(Pré)Conceito, Deficiência e Sexualidade”, e o padre Bruno Rodrigues falou das questões religiosas associadas a esta realidade.

Durante este colóquio foi também apresentada a peça de teatro Um Mundo só Meu.

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