Companhias aéreas de baixo custo e a indústria turística

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A indústria turística surgiu naturalmente na Região Autónoma dos Açores e é considerado como um dos pilares do desenvolvimento estratégico, uma vez que as oportunidades patentes no arquipélago eram facilmente aproveitáveis e sustentáveis. As características deste território reforçam ainda mais as potencialidades do sector turístico como alavanca e motor para o desenvolvimento económico e social. Segundo o Plano Estratégico Nacional para o Turismo (PENT) e o Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores (POTRAA), o produto base (core) para o destino turístico Açores é o Turismo de Natureza. Este produto turístico baseia-se na exploração dos recursos naturais e/ou ambientais presentes num determinado espaço/área/território. Em grande parte, são os agentes de animação turística as entidades que exploram tais recursos (marítimos, terrestres ou aéreos), através das actividades comummente designadas por desporto na natureza, desporto aventura, turismo activo, entre outras designações que proliferam nos mais diversos estudos académicos, técnicos e científicos.

É importante salientar que o turismo, apesar de ser um instrumento empresarial viável e exequível para o desenvolvimento dos territórios e espaços e que contribui positivamente para o seu crescimento e coesão social, aumento do tecido económico, valorização dos produtos endógenos, promoção do artesanato, defesa do património edificado, entre outros, também pode remeter para muitos aspectos negativos, o que faz com que um planeamento estratégico seja uma ferramenta fulcral aquando da decisão de tornar um território, espaço ou área, num destino turístico. Deve-se olhar para a indústria turística não como a panaceia de todos os problemas, mas como uma alavanca de promoção territorial e de revitalização.

Este produto turístico, devido às suas características, não possibilita que o destino em causa se torne num destino massificado. A Região Açores possui todas as condições para se afirmar como destino turístico de excelência, se já não o é, mas onde urge aproximar e introduzir novos projectos, reflectindo os bons exemplos (benchmarking) de destinos turísticos apelativos, onde igualmente o produto base é o Turismo de Natureza. Assim, a introdução das companhias de baixo custo na Região Açores, deve ser atentamente estudada bem como a verificação de quais os impactos que poderá repercutir a curto, médio e a longo prazo.

Por um lado, se os Açores possuem como produto turístico estratégico o Turismo de Natureza, um significativo aumento de fluxos turístico pode repercutir impactos ambientais catastróficos. Uma das máximas deste produto turístico é que a taxa de visitação/ocupação deve ser sempre inferior à taxa de regeneração dos espaços naturais e/ou ambientais. Por outro lado, a introdução de companhias aéreas de baixo custo nos Açores, oferecem a possibilidade de residentes, turistas nacionais e internacionais e respectivos mercadores emissores considerados como estratégicos para este território, conhecer e descobrir a Região e respectivas ilhas, promovendo o turismo interno, nacional e internacional, fazendo com que os resultados da indústria turística aumentem consideravelmente.

Este é um assunto com linhas de fronteira bastante ténues, onde é estritamente necessária uma reflexão e problematização deste tema.

(Licenciado em Turismo e Mestre em Lazer e Desenvolvimento Local pela Universidade de Coimbra)

 

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