Uma viagem aérea, três ilhas

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Segundo um estudo recente da Turisativa – Consultoria e Planeamento em Turismo e Produtos (2012), baseado nos dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), sobre a indústria turística na Região, conclui-se que o território designado pelas Ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge) perdeu, significativamente (à excepção da ilha do Pico em alguns pontos) número de dormidas, taxa de ocupação média e estada média dos turistas. O estudo não se encontra concluído, esperando a saída das estatísticas oficiais do corrente ano, mas podemos prever, segundo dados e opiniões de especialistas, a contínua queda do sector no ano 2012 e 2013. Uma das principais razões desta queda significativa é o decréscimo acentuado por parte do mercado nacional. Contudo, o mercado internacional ganha cada vez mais relevância na balança turística, equilibrando a queda do mercado nacional. Apesar desta aparente estabilidade, ela não é suficiente. Segundo as últimas estatísticas do SREA, até Agosto de 2012, em comparação com o ano de 2011, o mercado nacional decresceu cerca de 15%, enquanto o mercado internacional aumentou cerca de 0,9% (SREA, 2012).

As ilhas do Faial, Pico e São Jorge (adiante designadas pelas Ilhas do Triângulo) só serão vendáveis se agregarem esforços entre si: consciencializar o turista (nacional e internacional) que possui a possibilidade de, com uma viagem aérea, conhecer, descobrir e explorar três das nove ilhas que constituem o arquipélago dos Açores. Apesar da proximidade entre ilhas, cada uma tem as suas características e as suas particularidades, o que fará com que a oferta turística seja multidimensional, não ficando dependente de um único produto turístico e, consequentemente, não dependente de um ou outro mercado emissor.

Como empreendedor e profissional do sector turístico, sinto que existe a necessidade de criar uma entidade ou organismo para a divulgação e promoção das Ilhas do Triângulo. Essa futura entidade deverá ser constituída, na minha opinião, única e exclusivamente por profissionais do sector turístico, sendo o objectivo e propósito desta, demonstrar as potencialidades turísticas, culturais, ambientais, naturais e outras das Ilhas do Triângulo. A entidade ou organismo deverá igualmente possuir uma valência de agência de viagens e turismo de forma a ela própria vender e colocar à venda (retalhista ou grossista, com ou sem intermediários) diversos pacotes turísticos (viagem, alojamento, actividades) entre as três ilhas. Aliás, os pacotes turísticos devem ser dinâmicos e não estáticos, quer isto dizer, que deverá existir a possibilidade do turista criar o seu próprio programa (entenda-se experiência).

Com toda a certeza que esta entidade, de momento fictícia, terá um papel crucial na promoção e divulgação das Ilhas do Triângulo. Todavia, só será possível se existir um trabalho em rede entre todos os stakeholders ligados ao sector turístico, bem como de outros pilares fundamentais que podem ajudar a alavancar o processo de afirmação deste território. Uma vez mais sublinho que a entidade deve ter como único propósito a afirmação, quer nacional quer internacional do potencial turístico existente nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge, não possuindo qualquer outro tipo de finalidade económica, financeira ou de outra ordem.

Se por um lado, a presença em feiras e fóruns turísticos (nacionais e internacionais) é importante na captação e fidelização de clientes, por outro lado, as redes sociais e similares não devem ser menosprezadas. Quer isto dizer que a entidade deverá possuir uma componente de promoção e divulgação presencial (feiras) e não presencial (Internet).

Apresentar este território e as suas potencialidades (turismo de natureza, gastronomia e vinhos, turismo sénior, turismo desportivo e náutico) a diversas agências e operadores turísticos (nacionais e internacionais), fazendo com que estes percebam, efectivamente, que as Ilhas do Triângulo possuem as condições necessárias para se afirmarem no panorama turístico nacional e internacional. Interligando a toda esta panóplia de recursos, encontra-se o facto de que o turista, com uma viagem aérea, pode visitar três das nove ilhas dos Açores.

Acredito, enquanto agente turístico, no potencial deste território. É necessário e urgente a criação de uma entidade, constituída por agentes ligados ao sector, sedeados, preferencialmente, numa das três ilhas, com o objectivo único de promover e divulgar as Ilhas do Triângulo.

Deixo e gostaria, após este repto, de ver um encontro entre os agentes ligados ao sector turístico, sedeados nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge (empreendimentos turísticos, agentes de animação turística, agências e operadores turísticos, estabelecimentos de restauração e bebidas, entre outros), debatendo e problematizando questões, projectos e ideias, tendo sempre em consideração os recursos presentes nas Ilhas do Triângulo e a forma de como se poderiam potencializar, emancipar e explorar.

Artigo escrito sob o Antigo Acordo Ortográfico

tiagovalente@sapo.pt



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