Conselho de Ilha – Novo lapso motiva reunião extraordinária

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Os lapsos no Conselho de Ilha (CI) do Faial continuam a suceder-se. Após o polémico engano no envio do parecer do Conselho sobre o PROTA à Assembleia Regional, a Mesa voltou a “meter o pé na argola”, desta feita em relação ao parecer daquele órgão sobre a ante-proposta do Plano da Região para 2011. Há menos de um mês, os conselheiros reuniram-se para decidir o teor do referido parecer, tendo nessa altura sido acordado que o mesmo seria redigido e enviado a todos os elementos do CI antes de ser remetido à Assembleia Regional, o que não aconteceu.

Esta situação terá levado à marcação de uma reunião extraordinária, na tarde de ontem, e por iniciativa não do presidente do Conselho, mas sim dos restantes membros da Mesa. Com Ângelo Duarte ausente da ilha, foi o vice-presidente do CI do Faial, António Ávila, a convocar a reunião e a presidir à mesma. Aos jornalistas, Ávila reconheceu existirem “pontos de vista diferentes” entre o presidente e os restantes elementos da Mesa.

A marcação desta reunião extraordinária para que os conselheiros pudessem redigir um novo parecer surge assim como uma tentativa de “emenda” a um “soneto” que tarda em afinar. A postura de António Ávila, Luís Botelho e José Agostinho, que constituem a Mesa do CI em conjunto com Ângelo Duarte, pareceu no entanto ter agradado a Luís Bruno e a Jorge Costa Pereira, dois dos principais críticos dos métodos de Duarte na última reunião.

De todos os conselheiros, o mais inconformado com a machadada que esta sucessão de lapsos representa na credibilidade do CI foi precisamente Costa Pereira. O deputado regional do PSD não duvida de que “são muitos lapsos seguidos”, considerando que o Conselho “está a perder dignidade”.

Na última reunião, tinha ficado decidido por unanimidade que o parecer do CI do Faial deveria ser acompanhado de uma nota introdutória que frisasse a posição daquele órgão, e que reivindicasse igualdade de critérios do Governo Regional para todas as ilhas na hora de distribuir os investimentos. Na ocasião, ficou decidido que seria o também deputado regional social-democrata Luís Garcia a redigir essa introdução. Ora, da página e meia que Garcia enviou à Mesa do Conselho, foram incluídos apenas três parágrafos, e, segundo Costa Pereira, o texto onde era marcada uma “posição mais frontal” do CI foi ignorado. “Se é para apenas uma ou duas pessoas fazerem os pareceres nós não vimos aqui fazer nada”, desabafou, dizendo-se “triste e desapontado” com a forma com o CI do Faial está a funcionar.

Intervindo em defesa da Mesa, como é seu apanágio, o presidente da Câmara Municipal da Horta acusou os restantes conselheiros de não fazerem o seu “trabalho de casa”: “O único conselheiro que fez o seu trabalho de casa fui eu”, considerou João Castro, referindo-se às propostas com que contribuiu na última reunião para a elaboração do parecer.

Estas declarações não foram fáceis de digerir para alguns conselheiros, e a primeira resposta veio do representante comunista. Luís Bruno reconheceu o bom trabalho apresentado por João Castro na última reunião, no entanto lembrou-lhe que, na sua qualidade de presidente da CMH, dispõe de uma equipa de apoio para a análise do Plano e de reuniões com os elementos do Governo, vantagens de que os outros conselheiros não dispõem.

Costa Pereira, por sua vez, condenou vivamente o que considerou ter sido um juízo de valor errado e indevido do edil.

Picardias à parte, os conselheiros acabaram por em conjunto esboçar um novo parecer, onde já tiveram em conta algumas alterações introduzidas pelo executivo da ante-proposta para a proposta de plano, e deixaram marcadas algumas preocupações que não estariam suficientemente vincadas no anterior parecer, como é o caso da importância do aumento da pista do aeroporto da Horta, e ainda da necessidade de serem concluídas as obras do polivalente de Pedro Miguel, sob pena de que, caso as mesmas não prossigam, o mau tempo do Inverno possa destruir algum do trabalho já feito.

 

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