Contradições

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Ainda não tinha abordado, concretamente, o facto de ao Grupo Parlamentar do CDS-PP na Assembleia Legislativa Regional dos Açores (ALRA), ter sido usurpado um lugar de deputado.
No entanto, e após uma entrevista da Deputada M.ª Graça Silveira a um jornal da Região, na qual acusava os partidos de serem os Donos Disto Tudo (DDT), não poderia ficar indiferente, até porque para lá dessas acusações, que poderiam ser genéricas, insiste numa série de ataques pessoais, que por não serem verdade e por serem contraditórios até, julgo pertinente abordar.
Contradição #1 – Graça Silveira foi silenciada após declarar apoio à candidatura de Luís Silveira. Já ficou claro que afinal não passou apenas de uma vitimização, pois teve oportunidades para intervir, e num artigo que escreveu a tentar vilanar Artur Lima, disse isso mesmo, elencando uma série de intervenções. Por um lado, diz que foi silenciada, por outro não poderia ficar por baixo dizendo que não tem intervenção política, e logo se gabou dos seus feitos…
Contradição #2 – O alegado silenciamento é uma falta de respeito para com os eleitores que a escolheram. Esta alegação poderia ser pertinente, não fora o facto de Graça Silveira não ter sido cabeça de lista em qualquer circulo eleitoral, e não ter sido eleita sequer pelo círculo de ilha do qual fazia parte. Quer isto dizer que Graça Silveira foi eleita à boleia dos eleitores que não faziam a mínima ideia se esta constava ou não de alguma ou qualquer lista. Ainda admitia que, sendo ela cabeça de lista por um círculo, e tendo feito o apelo ao voto no seu projecto específico para esse círculo, pudesse alegar que para ser fiel ao que apresentou, teve que passar a independente. Neste caso passou a independente usurpando um lugar conferido ao CDS pelo seu eleitorado, e pelos projectos individuais de cada uma das ilhas onde concorremos.
Contradição #3 – Os partidos são os DDT porque não querem dar tempo a independentes. Graça Silveira esquece-se que vivemos numa democracia representativa, em que os deputados representam um projecto apresentado ao eleitorado que os elegeu. Neste momento qual é o projecto de Graça Silveira? Nunca a ouvi advogar por círculos uninominais, em que, e aí sim, poderia alegar que foi escolhida pelo eleitorado de entre os candidatos apresentados pelo partido. Ao mesmo tempo que diz que os partidos querem mandar em tudo também informa que se a deixarem voltar, ela volta.
Contradição #4 – As representações parlamentares na ALRAA têm mais poderes e tempo que os independentes. Pudera… As representações parlamentares foram efectivas a partir do dia da eleição e têm um projecto representativo subjacente. Os independentes, efectivam-se à posteriori subvertendo o resultado eleitoral. Não deixaria de ser interessante se três ou quatro deputados, ou até todos, passassem a independentes e tivessem os gabinetes que Graça Silveira julga ser de direito e tivessem o tempo para intervenção que assume como direito. O programa Parlamento teria que ser realizado no plenário, e seria uma sessão plenária para a RTP-Açores.
Contradição #5 – O congresso do CDS-Açores já deveria ter acontecido. Aqui é interessante ver que o congresso esteve marcado para os dias 7 e 8 de Dezembro deste ano, e há não muito tempo, apareceu Graça Silveira na RTP-Açores a dizer que o congresso não poderia ser nessas datas e teria que ser adiado porque a sua marcação não cumpria todos os pressupostos legais. Então, agora o partido está a tratar de proceder de acordo com os pressupostos enunciados e já está mal porque o congresso já deveria ter ocorrido?
Contradição #6 – Quem lá está não diz se quer continuar, logo, que saia. Refiro que já anteriormente, num artigo de opinião, Graça Silveira alegou que o presidente do partido deveria sair, e não ela. Ora a contradição aqui é que os líderes partidários são eleitos em congresso, pelos militantes, e não por vontade ou desvontade de um membro. O CDS é um partido democrático, e quem não está com o líder eleito em congresso tem duas soluções: sai e espera até ao congresso para apresentar um projecto alternativo ou então sai e tenta reunir os pressupostos para que o congresso seja antecipado. De qualquer das formas sai e faz o seu trabalho a partir de fora, e não com um pé fora e uma faca longa dentro.
No fundo a grande contradição, que será talvez uma contradição humana, é que há pessoas que pintam cenários tristes e isso fá-las felizes. 

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