“Esta é a madrugada que eu esperava/ o dia inicial, inteiro e limpo/ onde emergimos da noite e do silêncio/ e livres habitamos a substância do tempo”.
Sophia de Mello Breyner, “25 de abril”
Passei a infância e parte da minha adolescência sob a ditadura do Estado Novo. E ia a caminho dos 16 anos de idade quando se deu o 25 de abril de 1974. Vivia então com a minha família na ilha Terceira, era estudante liceal e lembro-me como se fosse hoje. Foi no decorrer de uma aula de Ginástica (hoje diz-se Educação Física) que Monteiro Pais, professor daquela disciplina, nos deu a notícia:
– Houve uma revolução em Lisboa!
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