Correlação árbitro/observador

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Não sendo nem de longe nem de perto um perito neste tema, ao contrário de muitos que por aí andam e apregoam ser os donos da verdade nesta matéria, permitam-me estas sucintas linhas sobre este assunto melindroso. Creio que a melhor forma de iniciar esta sumária abordagem é pegando nas palavras do reputado observador de arbitragem, Ray Ellingham “Não há nada pior do que um árbitro entrar em campo com a preocupação: “Onde está o observador?”. Toda esta preocupação de que está a ser observado e avaliado nem sempre é bem gerida por parte do árbitro, há quem consiga aliar-se totalmente deste estado, no entanto há quem não consiga entrar dentro das quatro linhas livre desta “inquietação” que alguém está a aquilatar a sua arbitragem. 

Pois bem esta apreensão muitas das vezes gera o medo de errar, e como é sabido o medo de errar afeta de sobremaneira no momento de avaliar e decidir sobre uma determinada situação/lance. 

Por tudo isto é fundamental que à priori o árbitro desconheça qual o observador que irá estar presente no seu jogo e ao observador compete-lhe ficar absolutamente vedado de contactar com a equipa de arbitragem antes, durante e depois do jogo, devendo manter-se o mais anónimo possível.

Seria fundamental aos observadores evitarem o “erro protótipo”, no qual estabelecem padrões muito altos para os árbitros mais categorizados e muito baixos para os menos categorizados. O nível da avaliação global deverá refletir a imagem da atuação do árbitro tendo por base a avaliação detalhada dos capítulos onde se descrevem os aspetos quantitativos e qualitativos.

Ao observador pede-se rigor, imparcialidade, transparência e objetividade, tentando ser o mais justo possível na avaliação final atribuída ao árbitro. 

À posteriori e independentemente da sua avaliação num determinado jogo, o árbitro terá de saber tirar partido do relatório do observador, olhando-o como uma oportunidade de melhorar determinados aspetos e capítulos menos bons, e continuar a potenciar aqueles nos quais já demonstra capacidade técnica e maturidade considerável.

Seria importante a todos os níveis um relacionamento salutar e construtivo entre árbitros e observadores, para que ambos evoluam na sua missão, sendo que os árbitros não deveriam descorar o papel importante do observador no pós-jogo, na análise a incidentes registados e decisões tomadas.

 

 

 

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