CORVINA QUE SE DISTINGUIU- PALMIRA DOS SANTOS JORGE (1872-1956) – Professora primária e poetisa

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Maria Palmira dos Santos Jorge, nasceu na ilha do Corvo em 10 de Fevereiro de 1872, e faleceu, solteira, em Lisboa, em 20 de Dezembro de 1956, na freguesia de Campo Grande, onde residia temporariamente com uma sobrinha. 

Assim, no seu processo de Imposto Sucessório, instaurado na Repartção de Finanças do Corvo por razões de interesses particulares, consta que se encontrava acidentalmente em Lisboa onde havia ido por motivos de saúde (1).

Era filha de Manuel Lourenço Jorge e de Maria Santa, ele agricultor e ela doméstica, neta paterna de Jorge José Lourenço e de Rosa Mariana, e materna de José de Fraga Santo e de Francisca Rosa.  

Desconhecemos onde e quando concluiu o Liceu e o curso do Magistério Primário, que a levou ao exercício profissional de professora oficial. 

Sabe-se, contudo, que inicialmente leccionou em escolas primárias na ilha das Flores, passando depois para a ilha de S. Miguel, onde permaneceu até à sua aposentação, a qual se terá verificado nos últimos anos da década de 1940 ou no início da de 1950.

O poeta micaelense Rui Galvão de Carvalho, que a deve ter conhecido pessoalmente, incluiu-a na sua “Antologia Poética Açoriana”, escrevendo que os seus poemas se encontram dispersos por jornais açorianos e brasileiros e que era uma poetisa despretenciosa e singela, que exprimia sinceramente o que ia no íntimo de confissões de um coração sentimentalista, desabafos de uma alma profundamente religiosa, com expressões de uma sensibilidade delicada. Nessa obra transcreveu dois poemas evocativos e exemplificativos da sua poesia, referindo ainda que Palmira Jorge “amava apaixonadamente a sua pequena Ilha natal, aquela Ilha em que Mousinho da Silveira desejaria ser sepultado e cujo viver patriarcal de sua gente tanto havia impressionado Raúl Brandão” (2). 

Alguns dos seus poemas foram publicados na imprensa florentina, nomeadamente no jornal “As Flores”.  

A sua biografia consta da “Enciclopédia Açoriana”, por enquanto limitada à Internet, conforme deixámos registado na Bibliografia à margem identificada. 

A sua fotografia, que juntamente se publica, foi-me remetida pelo sobrinho, o jurista António Mendonça, natural de Santa Cruz das Flores (filho do solicitador florentino António Avelar de Mendonça), agora a residir em Lisboa onde fez carreira brilhante. Refere ele que a fotografia da tia deve ser de 1927 e que deverá ser uma das últimas que a mãe possuía.                              

Enquanto se manteve em S. Miguel, ilha em que terá trabalhado e residido a maior parte da sua vida, a professora e poetisa Palmira Jorge visitava a ilha do Corvo com alguma frequência. Como acontece com a maioria dos insulares, vivia com as tradicionais saudades do torrão natal, como é notório nalguns dos seus poemas.

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Bibl: Arruda, Luís M., (2008), “Enciclopédia Açoriana – Palmira Jorge”, Centro de Conhecimento dos Açores, Internet, google; Mendonça, António, “Informação por carta” de 14-12-2005, arquivada nos meus documentos em 23.12-2005; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Histórias e Gentes da Ilha do Corvo”, 2011, pp. 150 e 151, edição da Câmara Municipal do Corvo.  

(1). Processo de Imposto Sucessório da R. F. do Corvo, de 1957, organizado por familiares seus herdeiros (recolha de José Arlindo Armas Trigueiro em 2006).

(2). Carvalho, Rui Galvão de, “Antologia da Poesia Açoriana”, (1979), pp. 460 a 463, edição da Secretaria Regional da Educação e Cultura.

 

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