Crescimento Azul: Economia do Mar

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Depois de anos de sucessivos alargamentos da União Europeia a leste, com uma subjacente opção territorial e  um afastamento quer dos pequenos países do litoral oeste, como Portugal, quer das regiões insulares do Atlântico Norte, como os Açores, eis que caminhamos agora para uma nova era de viragem a oeste, de opção pelo mar.

O primeiro sinal forte foi dado em 2007, por influência direta do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, com o lançamento da Política Marítima Integra-da/PMI, uma abordagem holística de todas as políticas da UE relacionadas com o mar. Fundada na ideia de que, através da coordenação das suas políticas, a UE pode colher mais benefícios do oceano com um menor impacto ambiental, a PMI abrange domínios tão diversos como as pescas e a aquacultura, transportes e portos marítimos, ambiente marinho, investigação marinha, energias offshore, construção naval e indústrias relacionadas com o mar, vigilância marítima, turismo costeiro e marítimo, emprego nos setores marítimos, desenvolvimento das regiões costeiras e relações externas em matéria de assuntos do mar.

Entretanto, muitas outras iniciativas foram sendo tomadas na esteira da PMI, destacando-se o reconhecimento do seu contributo para a Estratégia 2020, que traça as principais orientações para o futuro da UE, sob a designação do “crescimento azul”.

Hoje, os setores marinho e marítimo empregam cerca de 5.4 milhões de pessoas e geram um valor acrescentado de 500 mil milhões de euros, prevendo a Comissão Europeia que estes valores possam ascender a 7 milhões de empregos e a 600 mil milhões de euros em 2020. Estes são números que dão corpo à “economia azul”. Especifiquemo-los um pouco mais.

Ao nível do transporte marítimo, verifica-se que 90% do comércio externo e 40% do comércio interno da UE se processa por via marítima e, em mais de 1200 portos europeus, transitam 3,5 mil milhões de toneladas e 350 milhões de passageiros por ano. No âmbito da construção naval, os estaleiros e fornecedores de equipamentos representam 0,8 milhões de empregos diretos e indiretos especializados e um volume de negócios de 90 mil milhões de euros, sendo a Europa líder mundial na construção de embarcações sofisticadas, como os ferries e navios de cruzeiro. No que se  refere a energias renováveis, os oceanos oferecem recursos sub-explorados como seja a energia das ondas e marés e os parques eólicos offshore. No setor da pesca, temos 0,5 milhões de empregos, 0,3% do PIB da UE, que representa cerca de 20 mil milhões de euros/ano; e a aquicultura representa quase 20% da produção de peixe, empregando diretamente cerca de 65 000 pessoas na UE. O turismo marítimo representa cerca de 2,35 milhões de postos de trabalho e mais de 100 mil milhões de euros de valor acrescentado por ano para a economia da UE e o setor emergente dos novos recursos e biotecnologia marinha tem um crescimento previsto de 10% por ano e um mercado global de 2,4 mil milhões de euros.

O “crescimento azul”, sinónimo de um desejável desenvolvimento económico e social, ambientalmente sustentável, já não é hoje apenas uma ideia, mas antes se impõe como uma realidade em desenvolvimento! Os números apresentados são impressionantes e o potencial de crescimento da “economia azul” é enorme, sendo o mar considerado como o domínio com maior capacidade de crescimento num futuro próximo. 

Estes são alguns dados do workshop sobre “Crescimento Azul: promovendo empregos e inovação” que patrocinei e a que presidi esta semana, no Parla-mento Europeu, uma iniciativa justificada pelo reconhecimento da importância do tema para os Açores hoje e amanhã. Entre os convidados neste workshop destaco Ernesto Peñas Lado, Diretor da DG MARE da Comissão Europeia, bom conhecedor dos Açores, onde também já esteve a meu convite e que concluiu a sua intervenção afirmando, de forma singela e poderosa, que: “os Açores encapsulam todo este potencial do Crescimento Azul.” Aproveitemo-lo! 

www.patraoneves.eu

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