DIA DA FREGUESIA 2011 – Desinvestimento leva ao encerramento da Escola da Ribeirinha

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Quarta-feira, dia 21 de Setembro, a Ribeirinha assinalou mais um Dia da Freguesia. A efeméride ficou marcada por uma missa de Acção de Graças pela intenção de todos os ribeirinhenses, no Centro de Culto, seguindo-se o içar das bandeiras, junto do Polivalente, ao início da noite, ao som da Sociedade Filarmónica Recreio Musical Ribeirinhense.

Pelo terceiro ano consecutivo o Dia da Freguesia da Ribeirinha realizou-se no Dia de São Mateus, padroeiro da freguesia.

Seguiu-se a Sessão Solene, onde coube a Nelson Sousa, presidente da Junta de Freguesia da Ribeirinha, o discurso de abertura. O autarca congratulou-se com mais esta passagem do Dia da Freguesia, e falou de alguns dos desafios que se colocam a uma localidade de pequenas dimensões, como é o caso da Ribeirinha.

O autarca pediu mais colaboração e envolvimento da população nas actividades da freguesia, e aproveitou também para fazer um balanço de algumas das obras realizadas no actual mandato, falando ainda daquelas que faltam fazer. “Não nos esquecemos daquilo a que nos propusemos”, garantiu Nelson aos ribeirinhenses que encheram a sala do Polivalente da freguesia.

Nelson Sousa considerou ser esta “uma oportunidade de juntar a comunidade as instituições e as autoridades da freguesia em momentos de reflexão dos problemas e anseios de uma freguesia”.

Num ano marcado pela presença da crise financeira, que condiciona quer a gestão diária quer o planeamento de projectos futuros, a Ribeirinha procedeu, conforme explicou o seu presidente de junta, à intervenção de qualificação urbanística na Rua da Igreja; construção de muro e alargamento do caminho na canada do arrendamento; melhoramentos no porto e a obras no reservatório da Bencalada.

Para além disso foi criado um trilho pedestre e tentou a freguesia fomentar o ciclismo.

O autarca destacou ainda a participação no programa Eco-Freguesia em que a Ribeirinha foi distinguida como o galardão de freguesia limpa.

Pela negativa Nelson Sousa referiu o encerramento da Escola da Ribeirinha, “resultado do progressivo desinvestimento que levou à diminuição da qualidade da nossa escola e foi levando muitos pais e encarregados de educação a levar os filhos e educandos para outros estabelecimentos.

“Estamos conscientes de que o futuro dificilmente trará circunstâncias favoráveis fala-se inclusivamente em redução do número de Juntas de Freguesia. Estas são os órgãos da Administração Pública que, provavelmente, melhor e mais eficazmente gerem os dinheiros do contribuinte. Sendo a estrutura mais próxima do cidadão, são, também, o “elo mais fraco” e, consequentemente, um alvo fácil, sobre o qual muitos já erguem a espada neste dealbar dos cortes na despesa pública. É nosso dever encarar o futuro com garra, tal como os nossos pais e avós, que enfrentaram tempos bem piores, e continuar a lutar por esta terra e por esta gente” – acrescentou ainda o presidente da Junta.

 

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HOMENAGENS

Como é apanágio nestas ocasiões as homenagens também fizeram parte da ordem do dia, como forma de “enaltecer as pessoas ou instituições que nos notabilizaram, que foram e são fonte de mais-valias para todos nós, que marcaram e marcam a nossa vivência; aqueles que continuam a acreditar e a labutar diariamente para que as nossas crianças e jovens sejam melhores pessoas e, sendo-o, serão melhores cidadãos e a Ribeirinha será certamente um lugar cada vez melhor.”

Assim sendo, foram homenageados os antigos Faroleiros do Farol da Ribeirinha, na pessoa de António Medeiros e José Gomes e o Agrupamento 973 da Ribeirinha que conta, actualmente com 24 elementos.

 

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Projectos futuros

O presidente da Junta de Freguesia da Ribeirinha apresentou ainda aos presentes os projectos do executivo.

Assim sendo, e atendendo a que é a única freguesia deste concelho que não tem uma zona balnear electrificada, pretende a Junta proceder à electrificação do porto boca ribeira.

A criação de um Núcleo Museológico do Farol é outra das pretensões de Nelson Sousa que afirmou aguardar a cedência de terreno da Região Autónoma para avançar com projecto.

Os ribeirinhenses vão ainda continuar na defesa da construção de um bairro de habitação social a custos controlados, previsto na proposta de Plano de Pormenor.

A recuperação do Farol da Ribeirinha, é outro dos objectivos da freguesia que gostava de ver o espaço transformado num Centro de Interpretação Sismológica.

 

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A diversificação agrícola e a produção de próteas

À semelhança do ano passado entendeu o executivo da freguesia organizar uma palestra versando temas pertinentes da actualidade.

Depois de no ano passado ter sido João Melo, director do Parque Natural do Faial, a abordar a importância da Ribeirinha precisamente no seio desse Parque Natural, este ano os oradores convidados foram António Ávila, da Associação de Agricultores da Ilha do faial e Pedro Medeiros, coordenador do sector da floricultura e do grupo de produtores de próteas que, este ano já exportaram para a Holanda mais de 117 mil pés de flores.

 

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Entidades unidas

Jorge Costa Pereira, presidente da Assembleia Municipal da Horta, reiterou no seu discurso a importância e urgência em mobilizar a freguesia no sentido de preservar a memória do farol.

Costa Pereira afirmou mesmo que “é com tristeza e frustração que acompanho a lenta e continuada degradação do farol, marco histórico da ilha. Os tempos não são propícios a intervenções de grande envergadura, mas haja vontade e imaginação das várias instituições locais, concelhias e regionais para que não caia na memória o Farol da Ribeirinha e para que possamos mesmos inserir a Ribeirinha na rota turística daqueles que nos visitam”.

Coube a João Castro o discurso de encerramento das comemorações. O Presidente da CMH fez alusão ao “tempo e dificuldade” que vivemos mas, com olhar optimismo no futuro disse ainda serem “tempos de oportunidade”.

“Hoje necessitamos de pessoas de coragem que se assumam no exercício das suas funções, prontas para tomar decisões e para assumir responsabilidades politicas que credibilizem o exercício da cidadania activa” – lembrou João Castro que alertou ainda para o facto de “ser fundamental aproximar as pessoas das instituições”.

 

 

 

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