Dia de Portugal – Comemorações decorreram entre Ponta Delgada, Boston e Providence, nos Estados Unidos, com a participação do Presidente da República e do Primeiro-Ministro

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Este ano coube a Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, receber a primeira parte das comemorações do Dia de Portugal, viajando depois o chefe de Estado e o chefe do Governo para os Estados Unidos.
Em 2016, ano em que tomou posse como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um modelo inédito de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugue-sas, acertado com o primeiro-ministro, António Costa, em que as celebrações começam em território nacional e se estendem a um país estrangeiro com comunidades emigrantes portuguesas. Nesse ano, o Dia de Portugal foi celebrado em Lisboa e Paris e, em 2017, no Porto e nas cidades brasileiras do Rio de Janeiro e São Paulo.
As comemorações, cuja comissão organizadora foi presidida pelo professor Onésimo Teotónio Almeida, iniciaram-se no sábado, dia 09 de junho, nas Portas da Cidade de Ponta Delgada, com a cerimónia do içar da bandeira nacional e “uma visita às atividades militares complementares, tendo, posteriormente, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, entregue, nos Paços do Concelho, a chave de honra do município ao chefe de Estado”.
No domingo, dia 10, o programa “começou no Campo de São Francisco, com a Cerimónia Militar Comemorativa do Dia de Portugal, na qual participaram mais de mil militares dos três ramos das Forças Armadas”.
Marcelo iniciou, depois, um discurso curto em que falou sobretudo daquilo que define os portugueses enquanto povo. Lembrou, depois, a diversidade nacional através do elogio à autonomia, consignada na Constituição.
Com as mais altas individualidades do Estado presentes – entre as quais o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro -, o chefe do Estado frisou que autonomia se expressa ao nível da política, das leis e da gestão das coisas públicas.
“Como não sublinhar a pátria que somos, a autonomia que evocamos e o universalismo fraternal. A Pátria numa só, feita de muitas vivências”, disse Marcelo, com aquele fundo azul em que o mar se confunde com o céu, como assinalou.
Aos portugueses açorianos quis associar-se ao sentimento que os une. A autonomia “destas terras pelo modo muito próprio de afirmar a açorianidade em que se somam as saudades da distância, a proximidade dos afetos, a densidade da reflexão”.
A única frase que poderá ser lida como uma espécie de recado político, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que Portugal prefere a “paciência dos acordos, mesmo se difíceis” do que a “volúpia das roturas, mesmo se tentadoras”.
Estas palavras foram ditas pouco antes de partir para os Estados Unidos, rumo a Boston e Providence, onde vive uma enorme comunidade de portugueses, a maioria de origem açoriana.
Em território norte-americano, decorreu a cerimónia do içar da bandeira nacional na Praça Municipal (‘City Hall’) de Boston, onde tiveram lugar várias iniciativas promovidas por associações da comunidade portuguesa e lusodescendente do Estado de Massachusetts, designadamente o Boston Portuguese Festival.
Aí, Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu o povo português e anunciou que vai voltar a visitar os Estados Unidos em novembro próximo, numa deslocação em que incluirá a costa oeste norte-americana e zonas com grande presença de portugueses, como Fall River.
“Em novembro, estarei com as comunidades portugueses com as quais não me encontrarei agora”, disse, adiantando que visitará a costa oeste e a importante comunidade lusa de Fall River, na costa leste.
“Desde já prometo que em novembro visitarei as comunidades que não pude visitar agora em junho. Virei à costa oeste, a Fall River, que ficaram agora muito tristes. Mas virei cá em novembro”, acentuou.
Marcelo Rebelo de Sousa teceu elogios a Portugal e às suas comunidades, definindo o país e as suas gentes como promotores de união e paz, ao invés de divisão e guerra, referindo-se ainda aos sucessos da seleção nacional de futebol, mas, sobretudo, à forma como os portugueses criaram importantes comunidades em todo o mundo
“Temos uma capacidade de compreender, de dialogar, de aproximar pessoas. Somos assim. Nós unimos, não dividimos, nós criamos a paz, não a guerra. É assim que nós somos, é essa a nossa força, é essa a vossa força”, enalteceu o chefe de Estado.
Dirigindo-se a algumas centenas de pessoas em Providence, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que Portugal e os seus representantes podem parecer estar longe, mas tal não é verdade.
“Às vezes parece que estamos longe. Não estamos, estamos perto”, disse, depois de elogiar aqueles que “todos os dias criam Portugal” em Providence.
Por fim, ainda nesse mesmo dia, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa assistiu ao espetáculo de luzes e fogo no rio da baixa de Providence, organizado pela comunidade portuguesa. 

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