Do partido ou partidário?

0
9

Tendo em conta o posicionamento público que as autoridades locais têm adotado em assuntos como o número de ligações aéreas Horta – Lisboa, o reordenamento do porto da Horta ou mais recentemente a realização da Feira Açores, entre outros, fico sem perceber se estes são partidários do Faial ou do Partido do poder.
Dir-me-ão que que estão entre a espada e a parede. Se por um lado nós achamos que têm uma posição branda, ineficaz e até incompreensível por não defenderem os interesses de quem os elegeu, o Partido por seu lado acha que não se podem manifestar contrariamente às decisões vindas de cima.
Ora, não é difícil perceber que tal possa acontecer, mas aceitá-lo é inadmissível. Não podemos ter políticos com a espinha dorsal de um molusco! Não podemos ter votos na Câmara Municipal num sentido e, o mesmo partido, na Assembleia Municipal votar ao contrário. Quando alguém se propõe a um cargo público por eleição, o compromisso é para com a comunidade que representa e não para com um qualquer partido. Ou então está na hora de assumir que necessitam do partido para se dissimular e por sua vez ganhar eleições. Isto porque, como vamos sendo habituados, os partidos mais implementados criam uma aura em torno de um qualquer caudilho com pretensões messiânicas do qual os súbditos locais são os representantes na terra. Isto é dizer, de grosso modo, que dependendo do partido, há candidatos que se sujeitam a ser eleitos, independentemente da qualidade do seu programae da capacidade de o levar a bom porto.
Na política, como na vida, quando temos convições há que fundamentá-las e lutar por elas. Quando representamos uma comunidade e os seus anseios há que mostrar logo à partida se são plausíveis e que tudo faremos para os realizar. Não pode haver lugar à resignação!
Eu não me conformo, por exemplo, com o facto de o reordenamento do Porto da Horta ter apenas o acordo de quem está intimamente comprometido com o PS. Escuso-me desde já pela forma jocosa, mas não consigo deixar de pensar que a obra a concurso equivale a afundar o bloco C do Hospital da Horta (HH) algures entre doca e o Clube Naval! Ficávamos com uma plataforma de cimento quase similar e até ao mesmo preço. Em vez de gastar 14 milhões de euros numa praça inútil no meio do porto, colocava-se uma estrutura de valor idêntico… Se calhar com a debandada de especialistas que se verifica atualmente no HH podemos pensar mais seriamente nisso…
Agora mais a sério, pergunto se o Presidente da Portos dos Açores, daqui a 20 anos estará orgulhoso do legado que também ele deixa ao Faial? O PS-Faial e as suas deputadas regozijar-se-ão com o potencial desperdiçado desta baía? Temos uma “das mais belas baías do mundo”. Pretendemos candidatá-la às “baías desfiguradas com betão (que ainda por cima gorou as expetativas e arruinou o potencial operacional)”?
Custa-me aceitar a evidência de que este processo é um cargueiro desgovernado que se dirige para a costa e que ninguém, dos que têm responsabilidades, tenha o bom senso de minimizar danos e se impor àquilo que nos querem impor.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO