Dos malefícios do facebook

0
9

“Mas tu não tens facebook? Como é possível?” – é pergunta que vou ouvindo no dia a dia.
Respondo dizendo que considero o facebook uma feira de vaidades e que prefiro mil vezes o mundo real ao mundo cibernético. Sim, sou dos poucos portugueses que não têm facebook. E daí? Não questiono a importância das novas tecnologias de informação e da comunicação. E nada tenho contra as redes sociais e os blogues, nem contra o “twitter” nem contra o “instagram” nem contra o facebook em si – sou contra aqueles que fazem mau uso da internet; acima de tudo, sou contra o modelo de observação da vida alheia.
Refiro-me aos que, impunemente, utilizam a insinuação torpe, a suspeita genérica, a intenção malévola, a calúnia, a difamação e a devassa a coberto do anonimato e do disfarce mais hipócrita. É o mundo orwelliano no seu esplendor. Toda a gente vigia, observa, comenta e compara – o que acaba por produzir invejas, malquerenças e ressentimentos. Fotos e mais fotos e mais fotos! Caras, caras e mais caras. Tanta selfie. Tanta autocontemplação. Tanto narcisismo. Tanta ostentação. Tanto exibicionismo. Tanta futilidade. Tanta mesquinhez. Tanta palermice.
Não sou voyeur, não gosto de olhar pelo buraco da fechadura. (Convirá, a propósito, lembrar que o facebook foi inventado para ser uma rede de namoro entre universitários norte-americanos…). Quero lá saber dos “likes”, dos “posts”, dos “links” e outras bizarrias. Quero lá saber se fulano tem ou não frio nos pés, e que me importa qual a música que sicrano ouve quando se sente maldisposto… (Pensamentos profundíssimos…). Tenho mais que fazer, até porque, em tempo de massificação e de globalização, serei sempre contra todas as formas de manada.
É que prezo, e muito, a minha privacidade, bem precioso. Prefiro estar no café a falar com os meus amigos e a ver gente. Sim, é que eu tenho amigos de carne e osso, não preciso de seguidores nem de amigos virtuais. E que descaramento aquele de, diariamente, me perguntarem se eu quero ser amigo de alguém que eu nunca vi mais gordo…
Quem está no facebook e nos blogues comunica muito e fala pouco… Um destes dias, num restaurante, verifiquei que um jovem casal, enquanto aguardava a comida, em vez de falarem um com o outro, ou, vá lá, olharem um para o outro, teclavam furiosamente os respectivos ipads, cada um virado para o seu lado.
Albert Einstein bem que avisou: “Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interacção humana, e o mundo terá uma geração de idiotas”. São idiotas os que se radicalizam na net e viram terroristas. Mas igualmente idiotas são aqueles que andam por aí de auscultadores, desligados do mundo e estupidamente alienados às novas tecnologias…
Voltemos aos malefícios desse vírus infecto-contagioso que dá pelo nome de facebook… Sabem aquela do morto que jaz na casa funerária? Pois à exceção do morto, da esposa e do agente funerário, a sala está vazia. A esposa, chorosa, lamenta: “Não percebo, ele tinha cinco mil amigos no facebook!”… (Esta foi-me contada pela minha amiga Maria João Dodman que a ouviu em terras do Canadá). Há que desconfiar dos amigos cibernéticos.
Mais esta: dois cãezinhos conversam num parque. O mais velho pergunta ao outro:
-Tens facebook?
Surpreendido com tal pergunta, responde com convicção:
-Ora essa! Como é que eu vou ter facebook? Isso é coisa de gente. Eu e tu somos cães!
O outro, admirado com a ignorância do amigo, diz calmamente:
– Então, tu não sabes que na internet ninguém sabe que és cão!?
E quando as pessoas decidem expor-se, conscientemente, no inescrutável mundo do facebook, a coisa pode mesmo dar para o torto. Sei de uma professora que postou, na sua página, montes de fotos suas tiradas no Algarve e… quando regressou tinham-lhe assaltado a casa. Naturalmente foi alguém que sabia que ela estava de férias…
Vou continuar a desconfiar das bem-aventuranças do facebook.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO