É urgente mudar o ensino profissional!

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É urgente repensar o ensino profissional. Repensar os seus métodos, estratégias, conceções. É necessário progredir num processo inovador, rompendo com quadros mentais e metodologias de outrora. Reinventar, adaptar e ajustar as práticas pedagógicas são as palavras de ordem, num mundo cada vez mais global onde o desafio do ensino é permanente e constante. É assim necessário observar em plenitude, captando a diversidade das realidades observadas no nosso quotidiano. Esta capacidade de observar e trabalhar, em perspetiva, individual e coletivamente, é essencial para o progresso do ensino profissional que queremos para o século XXI.
Acredito neste olhar que deve estar na base do Projeto Educativo que perspetivamos para o ensino profissional em Portugal. Como em qualquer projeto, importa questionar, por um lado, o ponto de partida e, por outro lado, o ponto de chegada. É da síntese dos dois que resulta a evolução; uma evolução solidamente pensada e estruturada criativamente. Importar assim perceber o que queremos para os nossos alunos, formadores e colaboradores; o que queremos para os nossos Açores, o que queremos para o nosso Portugal.
De uma sociedade profundamente industrial, passámos para uma sociedade cada vez mais digital, onde os processos de mudança são cada vez mais rápidos. Vivemos num mundo cada vez mais incerto, complexo e volátil. As profissões do passado darão lugar a novas formas de trabalho (em muitos casos ainda por descobrir). É, assim, imperativo repensar o ensino profissional, repensar os seus métodos e estratégias. Urge ousar! Desafiemos o ensino, tal como a Internet e a digitalização atual nos desafiou (e continua a desafiar).
Não há apenas uma estratégia, mas estratégias, considero que estas devem girar em torno:
1. Do perfil da pessoa que pretendemos formar, ou seja o perfil de cada aluno à saída de cada ciclo formativo. Ter a capacidade de avaliar os recursos disponíveis e redefinir, alterar e inovar, tendo em conta a missão educativa;
2. As salas de aulas estanques e pouco apelativas devem ser substituídas por espaços abertos, flexíveis e polivalentes permitindo uma nova organização da aprendizagem. Redefinir e criar dinâmicas ou ações de acordo com as estratégias definidas e os objetivos a atingir;
3. A divisão estanque entre disciplinas deve ser esbatida ou mesmo desaparecer, dando lugar a verdadeiros projetos integradores, centrados não só na identificação dos problemas como também na resolução dos mesmos de forma criativa. As várias competências e “matérias” são integradas, trabalhadas, processadas e apreendidas no âmbito de projetos;
4. Criar, alimentar e integrar ambientes de aprendizagem inovadores, que repliquem, pedagogicamente, o mercado de trabalho. Estes são imprescindíveis na implementação de práticas pedagógicas no contexto do ensino profissional.

Uma escola em que os alunos são os protagonistas das suas próprias aprendizagens. O aluno aprende, fazendo e refletindo sobre o que faz. O papel do professor é o de criar as condições necessárias e estimular a curiosidade e a vontade de aprender.
Esta metodologia fomenta a autonomia dos alunos, estreita os vínculos entre alunos-alunos, alunos-professores e entre professores-professores, permitindo experiências pedagógicas mais participativas e participadas. Não tenhamos medo do futuro!

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