EDITORIAL

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Este será um ano de eleições autárquicas, como já se vai percebendo por alguns sinais inequívocos! São sempre as eleições que mais movimentam e dinamizam as estruturas partidárias pelo número de candidatos necessários para preencher os lugares em disputa desde a Câmara e Assembleia Municipais até às juntas e assembleias de freguesia.
Mas também as eleições autárquicas são aquelas que mais interpelam os eleitores e que mais os envolvem. Quando elegemos o Presidente da Câmara e, ainda mais o Presidente da Junta, estamos a escolher aquele poder que nos é mais próximo e a quem mais facilmente nos podemos dirigir e ter acesso. Também por isso, estas são as eleições onde por norma os níveis de abstenção baixam, traduzindo o empenho e a motivação do eleitorado em participar na escolha dos seus governantes de proximidade.
A nível informativo, o Tribuna das Ilhas dá nesta edição o pontapé de saída na cobertura que pretendemos fazer deste processo, entrevistando o Presidente da Câmara, José Leonardo, naquela que podemos apelidar “entrevista do mandato”. De forma similar, iremos ouvir todos os líderes dos executivos de freguesia do Faial, culminando com a presidente da Assembleia Municipal.
Tudo aponta para que nestas eleições autárquicas, novamente, seja tema central a questão da ampliação da pista do aeroporto da Horta. Desde logo, porque, pela primeira vez, um executivo camarário deu passos concretos com vista a, pelo menos, se ter um ponto de partida para o debate (até aí enviesado e nebuloso) dos custos desse investimento. Mas também porque, com a recente posição da SATA, manifestada no “Plano Estratégico e de Reestruturação 2021-2025” da empresa a ser remetido a Bruxelas, se assume a disposição de abandonar as rotas de Obrigações de Serviço Público (OSP’s) que abrange as ligações do Faial, Pico e Santa Maria com Lisboa. Este será um assunto central nos próximos tempos e certamente objeto de posicionamentos no debate autárquico.
E se é verdade que assiste à SATA, como empresa, o direito de não querer continuar a operar com as atuais OSP’s (por alguma razão a TAP deixou a rota da Horta), também não é menos verdade que a SATA é propriedade do Governo Regional e é este que determina, como seu acionista único, as opções da companhia, no pressuposto, aparentemente nunca cumprido ao longo de todos estes anos, que a mesma seja ressarcida dos custos que essas orientações possam ter.
Por isso, nunca aceitaremos que este (ou qualquer outro) Governo dos Açores, por sua iniciativa ou da SATA, via Bruxelas ou via Lisboa, sequer equacione impor ao Faial um retrocesso de quatro décadas nas ligações aéreas com Lisboa.
A Autonomia Açoriana constrói-se com desenvolvimento harmonioso, solidário e complementar. Não podemos reclamá-lo de Bruxelas ou de Lisboa e não o praticarmos dentro de portas!

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