Eleições para Presidente do PSD/Açores – Pedro Nascimento Cabral “A minha candidatura representa uma rutura com o atual sistema instalado no PSD Açores”

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Tribuna das Ilhas – Apresentou formalmente a sua candidatura à presidência do PSD/Aço-res. Que motivos estiveram na base da sua decisão de avançar para a liderança dos sociais-democratas açorianos?
Pedro Nasc. Cabral – O sentido de responsabilidade e um dever de consciência em relação aos militantes do meu partido. A minha militância iniciou-se na JSD Açores, tendo sido secretário-geral. Poste-riormente, já no PSD Açores, fui Presidente do Conselho de Juris-dição Regional. Dei sempre a cara pelo partido. Por tudo isto, não podia ficar indiferente ao percurso do meu partido que é marcado nos últimos seis anos por 5 derrotas eleitorais consecutivas, percebendo-se, de imediato, que o ainda líder do partido não iria conseguir inverter esta situação. A necessidade de estancar este processo destrutivo do PSD/A associado a um enorme conflito intergeracional criado por esta direcção política, bem como a ausência de uma participação activa de todos os militantes na vida do partido, foi o mote da minha candidatura. De uma forma directa, respondo que o meu espírito de missão e sentido de responsabilidade, associado ao desejo de lutar por um futuro melhor para o PSD/A e para a Região Autónoma dos Açores, foram as causas que motivaram a apresentação do projecto político que lidero.

TI – Quais são as linhas orientadoras da sua candidatura?
PNC – A minha candidatura representa uma rutura com o atual sistema instalado no PSD Açores. Um sistema que tem conduzido o partido a derrotas eleitorais consecutivas. Nesta medida, sou o primeiro candidato à liderança do PSD/A que vem da sociedade civil para o Partido. Tenho mais de 20 anos de advocacia e sou sócio fundador de uma sociedade de advogados. Ao contrário de todos os anteriores líderes, que nasceram dentro do próprio partido, considero que é chegada a hora do partido deixar de ter profissionais da política, mas passar a fazer política de forma profissional. Quero dedicar-me em exclusivo à liderança do PSD/A. As linhas orientadoras são muitas, desde logo pela necessidade de concedermos aos militantes um papel mais activo e recuperarmos a dinâmica de vitória. Só depois de nos organizarmos e motivarmos é que poderemos ambicionar ganhar ao Partido Socialista nas eleições regionais de 2020. Mas até lá ainda temos as eleições ao Parlamento Europeu, em que temos de colocar um candidato em lugar elegível e as eleições legislativas nacionais, em que teremos de garantir pelo menos 3 deputados do PSD/Açores na Assembleia da República, ganhando assim as eleições. O tempo urge e não podemos andar a fazer experiências, nem como já ouvi, a ser líder em part-time. Qualquer candidato que não perceba que temos de ter uma dedicação exclusiva ao nosso Partido, especialmente agora que terminam 6 anos de uma liderança que promoveu tantas divisões, só pode ser por não querer que ganhemos eleições e que continuemos os primeiros dos últimos. Eu não sou assim. A minha equipa não se contenta com pouco. Queremos devolver o poder ao PSD/Açores e ganhar eleições. Caso não consiga acrescentar valor ao partido até 2020, colocarei naturalmente o meu lugar à disposição dos militantes.

TI – Sabe-se que amanhã, dia 29 de setembro, terá um adversário nessa corrida à liderança. Que argumentos apresenta para os militantes do partido votarem em si e não no outro candidato?
PNC – De um modo geral o que respondi na pergunta anterior, para além do facto do meu adversário politico representar a continuidade do sistema elitista e carreirista que está instalado no PSD dos Açores. É importante referir que Alexandre Gaudêncio foi Secretário Geral e é o atual primeiro vice-presidente de Duarte Freitas. Não tenho dúvidas em afirmar que ambos representam as duas faces da mesma moeda política que conduziu o PSD/A, nos últimos seis anos, a cinco derrotas eleitorais consecutivas. Deste modo, os militantes do PSD Açores tem, agora, a oportunidade de decidir se querem manter o PSD/Açores tal como se encontra ou se preferem um outro PSD/Açores que faça uma ruptura com o passado e que assuma o seu verdadeiro papel de principal partido da oposição e que se apresente como uma verdadeira alternativa credível ao partido socialista para governar os Açores.

TI – Nos Açores, o PSD está há mais de 20 anos na oposição. Depois de terem tido vários líderes e de diversas derrotas eleitorais, como vê o partido atualmente?
PNC – A nossa principal preocupação prende-se com o facto de os Açorianos não olharem para o PSD/A como uma alternativa credível para liderar a Região Autónoma dos Açores, isto apesar da nossa Região Autónoma se encontrar estagnada, com um Governo e Partido Socialista esgotados, sem ideias e sem ambição. É por isto que defendo que temos de reactivar já os núcleos em todas as freguesias dos Açores, dinamizar as comissões políticas concelhias e de ilhas e colocar na Comissão Política Regional e no Conselho Regional pessoas com provas dadas, com competência, que possam de facto ser uma mais valia e não aqueles que irão dizer que tenho sempre razão.

TI – Acha que o partido deve olhar cada vez mais para dentro, para os militantes, procurando uma maior coesão interna ou abrir-se à sociedade, procurando envolver a sociedade civil?
PC – O partido tem de olhar em primeiro lugar para os seus militantes. Sem militantes o PSD Açores não existe. Naturalmente que o PSD Açores será sempre aquilo que os seus militantes pretenderem que seja. Entendo que é fundamental o partido abrir-se à sociedade civil, ouvir as instituições e envolver novas pessoas, com novas ideias, com novas formas de ver a realidade.

TI – Que opinião tem em relação à governação socialista dos últimos anos?
PNC – Os sucessivos governos regionais do Partido Socialista (PS) têm conduzido a Região Autónoma dos Açores para uma situação de total estagnação. Recordo que no final desta legislatura os Açores atingirão 24 anos – quase um quarto de século – sob a égide de um único partido, de uma única forma de governar e pensar os Açores. Basta olhar para os vários sectores fundamentais do nosso desenvolvimento económico e social para constatarmos que o PS tem falhado em toda a linha. Agora, os socialistas já começam a procurar soluções para os problemas que eles próprios criaram nos Açores. Veja-se o caos que se encontra instalado na educação, na saúde, no emprego. Temos o maior índice de pobreza do país e a mais alta taxa nacional de beneficiários de rendimento social de inserção. As nossas empresas públicas acumulam prejuízos de milhões e milhões de euros. Ao fim de 22 anos de poder socialista nos Açores, continuamos a ter como prioridade o combate à pobreza, quando deveríamos estar a discutir outros patamares de desenvolvimento económico e social para os Açores.

TI – Como olha para a Região Autónoma dos Açores dos dias de hoje?
PNC – A Região Autónoma dos Açores está a sofrer as consequências do falhanço das políticas socialistas dos últimos 22 anos. O actual estado de degradação dos vários sectores que dominam o nosso desenvolvimento social e económico falam por si. Por isso, o PSD Açores tem enormes desafios pela frente. Desde logo, combater a pobreza e melhorar os serviços de cuidados de saúde que devem ser prestados à nossa população. Temos a obrigação de investir significativamente na educação e na formação dos nossos jovens, uma vez que necessitamos de ter uma Região com níveis educacionais elevados que nos permita competir com os melhores em qualquer parte do mundo. No que diz respeito ao nosso modelo de desenvolvimento económico, estamos obrigados a organizar estratégias governativas que nos possibilitem ampliar a excelência dos nossos produtos provenientes das mais diferentes áreas de actividade que praticamos, como na actividade agrícola, na pecuária, e encontrar novos mercados para a sua colocação. A protecção das nossas pescas e demais recursos marinhos é inquestionável. A quebra da sazonalidade da actividade turística. A protecção ambiental. A solidificação da actividade industrial existente e apoio à criação de novas indústrias. O aproveitamento da nossa localização geográfica nos mais diferentes campos. A aposta no mar, nas energias renováveis, entre tantas outras que se revelam fundamentais para o desenvolvimento do Açores.

TI – Neste momento de reflexão interna do partido, que mensagem quer deixar aos militantes do PSD/Açores?
PNC – Uma mensagem de que cabe aos militantes do PSD/Açores optarem por uma candidatura, no caso a nossa, que é capaz de dar um horizonte de esperança em vitórias eleitorais. Acima de tudo terão de escolher entre manter o partido tal como está, com derrotas atrás de derrotas, ou, caso optem pelo nosso projecto político, fazer uma ruptura com o passado e ganhar um novo ânimo, uma nova motivação para elevarmos o nosso PSD Açores para o lugar que lhe compete, designadamente, de ser um alternativa credível ao PS para governar a Região Autónoma dos Açores.

TI – Caso seja eleito presidente dos sociais-democratas açorianos qual será a sua primeira medida?
PNC – A minha primeira medida política será, em articulação com o nosso grupo parlamentar, apresentar uma moção de censura a este Governo Regional do PS, cuja atuação tem prejudicado gravemente o desenvolvimento dos Açores e a melhoria da qualidade de vida dos açorianos.

TI – Acredita que consigo o PSD/açores tem condições para ganhar as próximas legislativas regionais e ser poder em 2020?
PNC – Tenho a certeza que sim! 

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