Começou a 47.ª edição da Semana do Mar. Um evento que não deixa ninguém, locais e visitantes, indiferente, pois tem a marca distinta do mar e das atividades náuticas que, afinal de contas, foi aquilo que lhe deu nome e tradição. Por essa razão, é um evento único no país, que nos deixa a todos orgulhosos. Saúdo, pois, as centenas de voluntários e dirigentes que trabalham diariamente no Clube Naval da Horta para levar para o mar este grande festival náutico.
Quanto à festa em terra, estamos no terceiro ano de “deslocalização” da mesma, em virtude das obras da frente-mar. Na minha perspetiva, está na altura de se planear o regresso ao seu local habitual, no coração da cidade, desde o Peter, passando pelo Clube Naval, Largo do Infante e Avenida. Só aí se sente verdadeiramente o ambiente do mar e do festival náutico, da marina ali ao lado, da paisagem deslumbrante. Sente-se a brisa do mar, que nos refresca nestas noites quentes, enquanto nos sentamos no muro da avenida ou percorremos toda a festa. Reconhecendo que a alternativa encontrada nos últimos três anos foi bastante aceitável, principalmente pelo espaço natural para os concertos ao ar livre, a verdade é que não se sente verdadeiramente o espírito da Semana do Mar, como ela é em toda a sua plenitude, se não for no seu local habitual. Está, pois, na altura de se pensar nisso.
Numa outra perspetiva, todos reconhecemos que a Semana do Mar representa muitos dias de trabalho, não só na parte náutica, mas também em terra, pois são muitos os que trabalham dias seguidos para nos proporcionar oferta diversificada de comes e bebes, doces, diversão e artesanato. Um trabalho extremamente difícil que, na minha opinião, devia garantir a oportunidade a todas as coletividades e clubes da nossa ilha de se associarem a ele. Não mediante concursos ou licitações, mas criando a oportunidade para o movimento associativo, que atravessa dias difíceis, tivesse aqui uma excelente forma de gerar rendimento, mas também de envolver mais os faialenses na festa. Para mim, faz todo o sentido esta perspetiva da Semana do Mar.
Este festival único no país, que atrai visitantes de todo o lado, que é o momento perfeito para matar saudades ou pôr a conversa em dia, tem dez dias de duração, ainda que de forma não oficial. Uma dimensão, na minha perspetiva, desnecessária, que desvirtua o próprio nome desta grande festa. Compreendo a perspetiva comercial, de aproveitamento de mais dois dias “pré-festa”. Mas é isso mesmo que esses dois dias deviam ser: um aquecimento para dias que se esperam inesquecíveis, e não o estender de uma semana já de si bastante rica e diversificada. O bolso dos faialenses agradeceria, com certeza.
Espero que todos se divirtam por estes dias, acompanhem as atividades náuticas, em terra ou no mar, e disfrutem desta grande festa que é de todos nós.















