EPH pretende criar parcerias com empresas e instituições locais

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A Escola Profissional da Horta (EPH) foi fundada em 1998 pela Santa Casa da Misericórdia da Horta. Desde o início da escola que a grande preocupação é a diversificação da oferta formativa. Em 2003, a atenção da EPH centrou-se no mar com o curso de recursos marinhos e oceanografia pesqueira. Este interesse pelo mar nunca desapareceu e já no ano letivo passado surge o curso de construção naval. Para o próximo ano letivo a EPH aposta em dois novos cursos: Mecânica Naval e Apoio Psicossocial.

De acordo com Alice Rosa, coordenadora do Gabinete de Apoio à Formação e Inserção Profissional (GAFIP), a EPH, para o próximo ano letivo, tem duas linhas orientadoras bem evidentes que originaram o aparecimento de dois novos cursos.

A primeira relaciona-se com o interesse pela área marítima, que foi explorado o ano transato com o curso de Construção Naval que teve “uma abrangência regional” e continuará, este ano, com o curso de Mecânica Naval. “Pretendemos continuar nesta área porque temos a noção que a Horta cidade tem um potencial enorme”, explicou.

O curso de Apoio Psicossocial “está relacionado com uma preocupação que a escola tem e que toda a comunidade também verifica”, frisou a coordenadora do GAFIP. Segundo Alice Rosa, dentro de pouco tempo estaremos a viver um novo paradigma social e há a necessidade de dotar o mercado de trabalho com técnicos que podem apoiar socialmente famílias que estejam a passar por dificuldades.

As inscrições para estes dois cursos terminam já no próximo dia 17 deste mês. Até ao momento, o curso de técnico de Apoio Psicossocial conta com 31 inscrições e o de Mecânica Naval com 37. Estas inscrições não são apenas do Faial, mas também de outras ilhas da Região.

Além destes dois novos cursos, a EPH tem a funcionar, neste momento, quatro cursos do programa REATIVAR: Assistente Administrativo, Técnico Auxiliar de Saúde, Operador Agrícola e Operador Informático. Este programa é dirigido “a pessoas que estão numa situação de desemprego e a pessoas que no seu percurso normal escolar não conseguiram concluir os seus estudos”, esclareceu. Esta semana iniciou-se o curso de Informação Base, também no âmbito do programa REATIVAR.

 EPH quer criar parcerias com empresas locais

Além da dupla certificação que os formandos obtêm com alguns cursos da EPH, esta instituição quer criar parcerias com algumas empresas e instituições locais. No caso do curso de Construção Naval, a escola está a “reunir esforços para que os formandos recebam a carta de patrão local”.

Para o curso de Operador Agrícola, Alice Rosa, realçou que é uma mais valia “ter a custos muito menores a carta de condução para tractores”.

A EPH também está a iniciar esforços para que os formandos do curso de Mecânica Naval consigam uma espécie de cédula marítima.

  Formandos têm oportunidade de estagiar nas outras ilhas da Região

Os cursos profissionais têm duas épocas distintas de formação em contexto de trabalho que são alvo de avaliação. O primeiro estágio realiza-se no segundo ano do curso, onde “os formandos já têm as devidas competências teóricas” para poderem ingressar no mercado de trabalho. O segundo estágio realiza-se no último ano do curso e tem um objetivo diferente, corresponde à finalização do curso e à prova de aptidão final.

A coordenadora do GAFIP realçou que a EPH “nunca teve qualquer problema a nível de acolhimento e integração dos formandos em contexto de trabalho”.

Este ano letivo formandos dos cursos de Construção Naval e Mecatrónica Automóvel tiveram a oportunidade de realizar os estágios fora do Faial, nomeadamente nas ilhas de São Miguel e Terceira. De acordo com Alice Rosa o balanço foi positivo, “os alunos foram e aproveitaram para fazer contactos para realizarem o estagiar T nessas mesmas empresas”, disse.

No estágio do segundo ano, a EPH tem preferência para que este seja realizado na ilha. No terceiro ano há a oportunidade do estágio se realizar em qualquer ilha do arquipélago. Já houve raras excepções de formandos que realizaram o estágio no continente ou na Madeira, mas “privilegiamos sempre a nível regional, porque um dos objetivos é a fixação de jovens na Região ou localmente”, afirmou a responsável pelo GAFIP.

Relativamente à procura do primeiro emprego, os alunos quando terminam o seu percurso formativo têm entrado em contacto com instituições e empresas, onde realizaram a formação em contexto de trabalho e acabam por fazer o estagiar T no mesmo sítio.

 “A colocação no mercado de trabalho e de forma mais permanente tem sido um pouco mais difícil”, adiantou Alice Rosa salientando que “o mercado de trabalho local está cada vez mais estrangulado e em termos de admissão de jovens há uma dificuldade acrescida”. Apesar desta dificuldade, a EPH já teve alguns contactos por parte de empresas que pretendem recrutar jovens, o que é “muito positivo”.

 Último ano letivo com balanço positivo

Maria José Gonçalves, diretora pedagógica da EPH fez um balanço positivo. “Tivemos uma população escolar bastante elevada, como nunca tivemos até este momento. Tivemos muitos cursos de REATIVAR, o que fez aumentar a população escolar”, afirmou.

Nos últimos anos as inscrições têm vindo a aumentar. Todavia as candidaturas aos cursos têm vindo a diminuir. Segundo Alice Rosa, este ano só foi possível a EPH candidatar-se a apenas dois novos cursos. Os cursos de nível IV também têm diminuído, em contrapartida, nota-se um aumento nos cursos do programa REATIVAR, o que se traduz num “aumento da população escolar”.

Alice Rosa lembrou que outro ponto positivo é o ambiente saudável que se vive na escola. “Neste momento temos duas populações muito distintas a conviver diariamente aqui na escola. Até agora a convivência foi boa, têm feito atividades conjuntas, temos tentando fazer projetos conjuntos que até têm tido algum sucesso dentro da comunidade escolar e isso é muito positivo”.