Equinócio do outono

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No equinócio ambos os hemisférios da Terra se encontram igualmente iluminados pelo Sol. Este ano, o início do outono ocorreu às 00h54, na Região Autónoma dos Açores, do dia 23 de setembro. Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro, quando definem mudanças de estação. Em setembro, o equinócio marca o início do outono, no hemisfério norte, e da primavera, no hemisfério sul. O outono do hemisfério norte é o “outono boreal”.
Equinócio é o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente (como visto da Terra), passa no equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). A palavra de origem latina aequinoctium agrega o nominativo aequus (igual) com o substantivo noctium, genitivo plural de nox (noite). Assim significa “noite igual” (ao dia) pois, nesta data, dia e noite têm igual duração. O eixo de rotação da terra está orientado, perpendicularmente, em relação à direção de incidência dos raios solares e ambos os hemisférios terrestres recebem a mesma quantidade de luz do Sol. Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do sol é o instante em que metade do círculo solar está acima do horizonte, e o pôr do sol (crepúsculo ou ocaso) o instante em que o círculo solar está metade abaixo do horizonte. Com esta definição, o dia e a noite, durante os equinócios têm, igualmente, 12 horas de duração.
O início do outono acontece, todos os anos, a 22 ou 23 de setembro. A data muda, de um ano para outro, porque os anos trópicos (o período entre dois equinócios de março), não têm exatamente 365 dias. Isso faz com que a hora do equinócio tenha uma variação de 18 horas, por isso ele não acontece sempre no mesmo dia.
A palavra outono vem do latim “autumnus” que significa “mudança”. Assim, o outono é tradicionalmente uma época de mudança, que representa a transição entre a primavera (época mais colorida do ano) e inverno (período mais escuro do ano).
Esta estação anual chega logo depois do Verão, preparando o Inverno. As folhas ficam amarelas, durante esse tempo, nem todas as árvores mudam de cor, nas suas folhas). A mudança de cor, no outono, só alerta sobre a próxima perda de folhagem (no inverno), a partir de agora, as noites serão mais longas do que os dias, e continuarão assim até o solstício de inverno, a 21 de dezembro – a noite mais longa do ano. É um momento importante porque assinala que as colheitas podem acontecer, mas ao mesmo tempo triste porque as noites reinarão sobre os dias.
Este fenómeno natural é uma demonstração notável das várias forças astronómicas que mantêm a nossa Terra aquecida e iluminada – e também fria e escura – à medida que o Sol e a Terra se movem, um em relação ao outro.
É por isso que, apesar da emoção, o dia pode ser um pouco deprimente. É diferente do outro equinócio, que marca o início da primavera com a renovação, e o progresso, para o verão. Esta estação esta mais associada à melancolia, à nostalgia, pois as suas características principais são as quedas das folhas das árvores, suas nuances amarelas e vermelhas, o tom cinza do céu e os frutos amadurecidos que pesam, nos galhos, e caem sobre a terra. Poeticamente, portanto, marca as etapas de transformação da vida, a reciclagem dos elementos da Natureza e também das emoções humanas. Inicia-se, neste momento, uma fase de transição, que se completa no inverno, quando todos sentem a tendência de hibernar. No outono, então, as pessoas vão se tornando introspetivas, mais desejosas de se abrigar nos seus refúgios e buscar a meditação. As noites chegam, cada vez mais cedo, húmidas, frias, requerendo outros hábitos. Dormir transforma-se em um ritual, pois as pessoas envolvem-se em agasalhos, mantas e cobertas abundantes. 

 

Sugestão: por estes dias visite uma floresta, caminhem por aí, veja como tudo acontece, observe, aprenda. Tente apanhar uma folha ao cair, mesmo antes de tocar no chão e guarde-a como amuleto de outono. No equinócio, o Sol nasce para todos!

 

“A brincar se dizem muitas verdades”

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