SINCMASIN…

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Acabo de ouvir a comunicação ao país feita pelo primeiro ministro. Por momentos senti aquela ânsia que a professora de matemática me transmitia explicando sem jeito, regras, sistemas, logaritmos, o escambau, enquanto eu sem entender, nem pensar entender, esperava pela minha negativa. A matemática, a minha sombra negra!
Penso que a maioria dos portugueses esteve tal qual eu. Ouvindo mil e uma explicações para finalmente receber a nota. Tal como na piada do adultério, o  português é o último a saber. Muito antes da decadência dos costumes, ainda era lícito sonhar. De início fomos acreditando, tecendo imagens novas, remendando o passado e esperando melhores dias. Esvaziámos a mochila e tentámos subir a ladeira. Em vão.
O sr ministro falou. E nós, portugueses, humilhados, ofendidos, sob mentiras, violências, crimes sem punição, ao sabor dum mundo caótico, grudamo-nos no chão, calamo-nos, encolhemos os ombros, cerramos os olhos e ouvidos e aceitamos, sem reclamar. O pior cego é o surdo. Amanhã os portugueses já terão esquecido a teia que os envolve e voltarão à vidinha despreocupada. Ouvirão uns fadinhos, o Carreira e filhos, sofrerão muito com a derrota do seu clube e lastimarão os jogadores vencidos, os pobrezitos! Sincmasin !
Que nome se pode dar a esta gosma em que nos tornamos? Será que sobrou simplesmente um caldo de preguiça, egoísmo e acomodação? Não restou nem um milésimo daquele sangue lutador que fez dos nossos antepassados uns heróis? Somos descendentes desse povo destemido e corajoso que se chamava português, ou seremos simplesmente os humildes servos dum senhor ( a ) da Alemanha e duma troika abstracta que veio não sei donde e vai para não sei onde?
Faz algum tempo, os portugueses eram diferentes. Lutavam pelos seus direitos, como uns danados. Venciam batalhas e guerras e o mundo admirava – os . Não era fácil cair em qualquer alçapão que o inimigo lhes abrisse. Agora, fraquinhos, desmotivados, diria mesmo com elevado complexo de inferioridade, nem inimigos tem. Nem força para reclamar leis, artigos, decretos e afins, que lhes são impostos. Quando o carrasco põe a mão na alavanca, já o português baixa a cabeça à espera do alçapão abrir. Não reage, não barafusta. Fica submisso. Sincmasin…
E, aflitos, apelaram à troika ( eu não queria repetir este nome) que, inicialmente olhou para trás, quedou-se a ver se Portugal falava sério. Sim, porque ela gosta de suspense. Caso contrário não estaria ali para ver suspender Portugal. Mas não se apiedou e zumba. Abriu o alçapão, onde estávamos prestes a mergulhar ( à la bolacha malato) e as nossas dívidas então negociadas.
Desta maneira aprenderemos a ser portuguesinhos, o que é muito difícil, uma vez que o país cresce noite e dia, qual tumor, na miséria, na fome, no desemprego, no crime, na fragilidade e especialmente no deixa p´ra lá.  Sincmasin…
Vamos criando becos sem saída, furnas, cavernas, onde os portugueses agonizarão até à morte.
Vou terminar. Nem vou reler. Para fugir a arrependimentos. Não mais esconder sentimentos debaixo da cama, lamentando o rumo das coisas. O maior problema de quem escreve não é começar, é saber quando terminar. Ponto final. Sincmasin…




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