Espírito Santo e Dia da Região

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Celebrámos mais uma vez as festas de louvor ao Espírito Santo, a maior festa cristã destas ilhas, que simboliza a partilha, a fraternidade, a solidariedade, a esperança e a entreajuda que marca gerações de açorianos. O culto ao Divino Espírito Santo foi trazido para os Açores pelos primeiros povoadores. O seu isolamento e o facto de serem fustigadas frequentemente pela força da Natureza, fez com que fosse particularmente difícil a vida nestas ilhas açorianas. Devido a essas dificuldades, os Açorianos tornaram-se devotos do Espírito Santo, e nesse culto tentavam encontrar a serenidade que a vivência diária na realidade arquipelágica, muitas vezes lhes retirava. As comemorações estão recheadas de manifestações religiosas, mas também de ações, rituais e simbolismos, que perduram até aos nossos dias.

Tradicionalmente o ponto alto da manifestação religiosa do Espírito Santo é a coroação, seguindo-se as famosas Sopas e a distribuição de pão. Em muitas freguesias, com maior incidência nas ilhas do Triângulo, as Irmandades e os Impérios do Espírito Santo organizam-se, para fazer as sopas e cozer o pão. 

Estas instituições que se organizam à volta do culto ao Espírito Santo, são movidas por pessoas, que para além da sua vida pessoal e profissional, se dedicam com fé, oferecendo o seu tempo para ser possível manter viva esta tradição. O espírito de solidariedade que impregna as pessoas que se dedicam a esta causa é algo que, só se explica, pela profunda devoção que nutrem pelo Espírito Santo. Para elas tem de haver uma palavra especial. São elas que, com o seu trabalho, trazem tanta grandiosidade às comemorações e o seu sentido cívico é demonstrativo da maneira de ser das nossas gentes. Um povo define-se pela sua cultura e manter estas tradições vivas, traduz-se no perdurar da nossa afirmação identitária.

Na diáspora, os nossos emigrantes vivem igualmente esta época com grande intensidade. Tal como cá, organizam-se festas com sopas e distribuição de pão, rosquilhas e massa sovada. Os emigrantes recriam as tradições açorianas com devoção e, assim, conseguem sentir-se mais próximos da sua terra e família.

Quando se fala das festas do Espírito Santo, os nossos sentidos transmitem-nos sensações: o aroma das Sopas e do vinho de cheiro, o rebentar dos foguetes, a melodia dos foliões e do Hino do Espírito Santo, o gosto da massa sovada e do arroz doce.

O culto dos Açorianos ao Divino Espírito Santo é tão intenso, que foi escolhida a segunda-feira do Espírito Santo, como feriado regional, o dia em que se celebra o Dia da Região Autónoma dos Açores, que festeja a açorianidade e a autonomia. Por ser o mais popular dos dias festivos em todo o arquipélago, entendeu o parlamento açoriano justo consagrá-lo legalmente como afirmação da identidade dos açorianos, da sua filosofia de vida e da sua unidade. 

Este ano voltámos a celebrar a festa maior da Autonomia Açoriana na cidade da Horta e na casa mãe da Autonomia, o Parlamento Regional, o que fez com que a cerimónia tenha adquirido um particular simbolismo.

A autonomia regional açoriana é um exemplo de sucesso que deve ser respeitada por todos. Devido à crise que atravessamos, muitos têm sido os desrespeitos e as tentativas de forte condicionalismo à nossa Autonomia. Exemplos infelizmente não têm faltado, mas destaco um exemplo recente, aparentemente pequeno e inofensivo, mas que diz muito da consideração que os atuais órgãos de soberania nutrem pela Autonomia Açoriana. Ao marcar o Conselho de Estado para o Dia da Região, o Presidente da República demonstrou, mais uma vez, o que sente pelos Açores e pela nossa Autonomia. A decisão de Vasco Cordeiro de não ir ao Conselho de Estado é de louvar. Pois para nós, Açorianos, os Açores estão sempre primeiro. 

A Autonomia não é estática, a Autonomia está no pulsar das nossas gentes. Dos que aqui nasceram, dos que escolheram esta terra como sua e, ainda, daqueles que, mesmo longe, sentem os seus Açores como quando cá viviam. 

Viva os Açores!

 

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Horta, 21 de maio de 2013

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