Europeias: Marcelo realça que “dois terços dos portugueses são pró-europeus”

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O Presidente da República realçou hoje que “há dois terços dos portugueses que são pró-europeus”, referindo-se aos votos de forças como PS, PSD, CDS-PP, Aliança e Iniciativa Liberal nas eleições deste domingo para o Parlamento Europeu. Marcelo Rebelo de Sousa falava na 6.ª edição das Conferências do Estoril, no Campus de Carcavelos da Universidade Nova de Lisboa, numa cerimónia em que trocou elogios com a sua homóloga croata, Kolinda Grabar-Kitarovic, que lhe disse que “os portugueses têm um Presidente fantástico”.
Sobre os resultados das eleições europeias, o chefe de Estado defendeu que em Portugal se confirmou que “há dois terços dos portugueses que são pró-europeus” e que, apesar de tudo, este é “um dia positivo para a Europa”.Questionado à saída pela agência Lusa sobre que forças políticas inclui nessa “maioria clara pró-europeia”, que já tinha destacado no seu primeiro comentário às eleições de domingo, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que estava a somar os votos obtidos por PS, PSD, CDS-PP e pelos recém-criados Aliança e Iniciativa Liberal, pelo menos.
Segundo o Presidente da República, este é “um dia positivo para a Europa” também porque “no Parlamento Europeu continua a haver uma maioria clara de pró-europeus”, mas “sobretudo porque mesmo os que não são entusiásticos pró-europeus têm lugar no Parlamento Europeu e isso é democracia”.
“Isso é o triunfo dos valores europeus. A Europa permite que, mesmo aqueles que são críticos, que são céticos, que querem dividir ou afastar, caibam na casa europeia. Não os ignora, não os afasta. E o debate sobre a Europa é um debate que cabe na democracia europeia. E essa é uma força”, considerou. Antes, Kolinda Grabar-Kitarovic fez uma intervenção centrada na igualdade de género, relatando a diferença de tratamento que sentiu por ser mulher, que terminou com uma saudação especial a Marcelo Rebelo de Sousa, em português.
“Caro amigo Marcelo, já percebi como és apreciado pelo povo português, e eu também tenho um grande apreço por amares tanto o teu país e pelo teu apoio incondicional. Dizem que na política não há amizades, mas tu és uma exceção. E porque apoias tanto os jovens e acima de tudo as raparigas, estou convencida de que os portugueses têm um Presidente fantástico”, disse-lhe.
Quando tomou a palavra, o chefe de Estado português retribuiu os elogios, declarando-se “esmagado” com o discurso “brilhante, inteligente, empático” da Presidente da Croácia: “Eu já sabia, mas agora milhares e milhares de pessoas sabem também por que foste eleita Presidente”.
“Nós não podemos votar na Croácia, mas sabes exatamente o que eu penso sobre o teu futuro e o futuro da Croácia e espero ver-te muito frequentemente no futuro próximo”, acrescentou.
Nestas eleições europeias, Portugal elegeu os seus 21 representantes num Parlamento Europeu com 751 lugares. O PS foi o partido mais votado, com nove eleitos e cerca de 33,4% dos votos, seguindo-se o PSD, com 21,9% e seis mandatos.
O BE obteve 9,8% e dois eurodeputados, os mesmos que a CDU, apesar de a coligação entre PCP e PEV só ter conseguido 6,9% dos votos. O CDS-PP ficou em quinto, com 6,2% e um mandato, e o PAN em sexto, com 5,1%, elegendo pela primeira vez um eurodeputado.
A abstenção global – em território nacional e no estrangeiro – foi de 69,05%.
No domingo, perto da meia-noite, o Presidente da República quis “chamar a atenção” para o facto de haver “uma maioria clara pró-europeia, que corresponde ao somatório das decisões de voto num conjunto de forças muito diversas, mas que ultrapassa os 60%, inequivocamente”.
Em seguida, salientou que “o Presidente da República não tem qualquer intervenção na sequência das eleições europeias, só tem na sequência das eleições legislativas, e são essas do dia 06 de outubro que verdadeiramente serão relevantes para a formação do Governo, que essa é uma competência constitucional do Presidente da República”.
Quanto à abstenção, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que “temia pior”, um valor entre 75 e 80%, que “não se atingiu”. Ainda assim, “houve um aumento de percentagem de abstenção, o que significa que um número muito significativo de portugueses escolheu não escolheu”, lamentou.

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