Falta de leite prejudica produção da CALF

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A falta de leite é, neste momento, a maior preocupação dos responsáveis pela Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial.

Com capacidade para receber 50 mil litros de leite por dia, a média diária de entrada de leite na fábrica é de 35 mil litros se bem que na época alta de produção leiteira (Fevereiro a Junho), os números rondem os 48mil litros/dia.

Estes dados foram revelados por José Agostinho, presidente da CALF, durante uma visita que os deputados regionais do Partido Socialista, Lúcio Rodrigues e Alzira Silva fizeram na passada semana às instalações fabris, localizadas na freguesia dos Cedros.

De acordo com José Agostinho, o sector primário faialense depende em muito da CALF, cooperativa que tem, para além disso, uma grande influência na economia da ilha, todavia a situação económica global é muito má e as perspectivas não são as melhores. Apesar disso, a CALF vende tudo o que produz e “só não vende mais porque não há capacidade de resposta por parte dos produtores”.

 

Neste momento existem 150 produtores de leite no Faial, quando, em tempos idos, já foram cerca de 900. Desses 150 produtores, 39% só tirar o leite às vacas uma vez por dia, quando os animais têm capacidade para ser ordenhados duas vezes por dia, logo, produzir o dobro.

A CALF não se debate, de acordo com o que foi revelado, com problemas de excedentes, aliás, tudo o que é produzido é, conforme já referimos, escoado. Há sim um problema de valorização do produto, isto porque o produto é vendido a preços muito aquém do seu real valor, uma vez que é a única forma de assegurar mercado.

O dirigente diz que é preciso encontrar uma forma de valorizar o produto, para que as cerca de 2400 toneladas de queijo que vendem por ano comecem a valer mais a nível económico, “porque não serve de nada ter bom queijo, boa manteiga, bom leite e ele não ser valorizado” – afirma José Agostinho.

Lúcio Rodrigues questionou, na ocasião, a direcção da Calf sobre a possibilidade de explorar novos e diferentes níveis de mercado, apostando, para tal, na área gourmet, ao que José Agostinho respondeu que os custos de produção associados a essa mudança, são muito elevados e, se não houver a tal valorização do produto, acaba por ser uma aposta inviável. Neste momento o produto gourmet da Calf, o queijo Moledos, é feito artesanalmente.

Questionado ainda pela deputada Alzira Silva com a possibilidade de vir a exportar leite em pó para Angola, José Agostinho diz que não é uma hipótese completamente fora do baralho, mas é algo que implicaria novos investimentos em equipamentos, nomeadamente, uma torre de secagem, e isso só se tornaria viável se a entrada de leite em fábrica aumentasse.

José Agostinho transmitiu ainda aos deputados socialistas que outra das suas preocupações se prende com o facto da constante inflação dos preços do sector energético aumentarem, em muito, as suas despesas de funcionamento.

Após esta visita os deputados vão encetar diligências no sentido de tentar encontrar soluções para os problemas apresentados, e adiantaram ao Tribuna das Ilhas que, apostar na formação e informação aos produtores de leite será uma medida a adoptar de imediato, porque os produtores têm que ser sensibilizados para novas técnicas de maneio dos animais, no sentido de optimizarem as suas explorações e delas retirarem muito mais dividendos.

 

 

 

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