Legislativas Nacionais 2011: José Decq Mota encabeça lista da CDU pelo círculo eleitoral dos Açores

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O faialense José Decq Mota é o cabeça de lista da CDU pelo círculo eleitoral dos Açores às eleições legislativas do próximo dia 5 de Junho. O anúncio foi feito esta tarde, na sede do PCP na Horta, por Aníbal Pires, mandatário da CDU/Açores para o referido acto eleitoral.

À comunicação social e aos apoiantes e militantes que compareceram na sede para escutar o primeiro discurso do candidato, Decq Mota disse ter aceite o convite do partido por estar disponível para trabalhar para a criação de “uma verdadeira alternativa a esta política de submissão, de dependência, de ultra-exploração, de empobrecimento da generalidade da população, de desvalorização profunda dos serviços sociais essenciais e de enriquecimento desenfreado de uma pequena faixa de especuladores”.

Evocando o seu passado de activismo político e de actividades cívicas, o candidato comunista entendeu como seu dever aceitar este desafio: “não tinha o direito de me alhear de uma participação muito activa para a qual os meus camaradas da CDU/Açores me solicitaram”, referiu.

Decq Mota entende que o acto eleitoral que se aproxima deve levar a uma “significativa alteração na correlação de forças, no plano político e no plano institucional”. Apontando responsabilidades ao PS e também ao PSD e ao CDS/PP na actual situação do país, o candidato frisou que as próximas eleições não podem ser condicionadas pela União Europeia, pelo FMI ou pela Presidência da República.

Para o comunista, “são possíveis outras políticas”, que valorizem os trabalhadores, protejam os reformados e pensionistas e visem “um verdadeiro desenvolvimento da economia”.

Decq Mota alertou também para a importância da estabilidade dos instrumentos reguladores do relacionamento entre o Estado e a Região, como a Lei das Finanças Regionais, que entende não dever estar subjugada à Lei do Orçamento de Estado.

Apesar de não serem ainda conhecidas as restantes candidaturas pelo círculo eleitoral dos Açores, o candidato da CDU deixou um desafio, apelando à realização de debates, na comunicação social, sobre todas as questões sobre as quais importa reflectir durante a campanha eleitoral: “manifesto a total disponibilidade da candidatura da CDU/Açores em participar em todas as iniciativas de debate e discussão”, disse.

“Sabem que podem contar comigo e com a CDU, sem reservas, sem mentiras, sem jogos”, concluiu.

Com 61 anos, José Decq Mota foi por diversas vezes coordenador do PCP/Açores e membro do Conselho Regional do partido, do Comité Central da Comissão Política, da Comissão Executiva Nacional e do Conselho Nacional. Foi o primeiro candidato do PCP a ser eleito deputado na Assembleia Regional, função que desempenhou entre 1984 e 1988. Foi vereador da CDU na Câmara Municipal da Horta entre 1997 e 2000, função que voltou a ocupar de 2005 a 2009. Actualmente, é administrador não executivo da empresa municipal Urbhorta.

CDU apela ao reforço da esquerda

Para lá, CDU e Bloco de Esquerda partem para estas eleições sem coligação com um propósito mútuo de “colaboração e convergência com o objectivo de construir uma alternativa de políticas”. Foi esta a leitura que José Decq Mota fez do encontro de ontem na Assembleia da República entre dois partidos mais à esquerda na representação parlamentar nacional.

No seu discurso, que antecedeu o do candidato pelo círculo eleitoral dos Açores, Aníbal Pires também reforçou a importância de se construir uma “alternativa política patriótica e de esquerda”, por oposição às políticas até agora praticadas. Para o deputado regional, a acção governativa do PS, do PSD ou do CDS/PP levará à “destruição do que resta do sector produtivo”, bem como ao “aumento da precariedade laboral, do desemprego, da pobreza e da exclusão” e ao “desmantelamento e privatização dos sectores sociais do Estado”, como a saúde ou a educação. “Esta é a opção conhecida e alternante que entrou em falência”, entende.

Para o mandatário da CDU/Açores para as próximas legislativas, urge “promover e valorizar a produção nacional, renegociar a dívida pública e escalonar o se pagamento”, bem como propor “a alteração dos regulamentos do Banco Central Europeu que está na base do poder ilegítimo das agências de notação”.

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