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Padre Henrique Greaves – exemplarB vigário da Matriz da Horta

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Destacado frade franciscano, o padre Henrique da Pureza Greaves foi um dos vários clérigos açorianos atingidos pelo decreto assinado por D. Pedro IV em 17 de Maio de 1832 que apontava para a abolição das ordens religiosas nos Açores, as quais viriam a ser extintas em todo o país pelo diploma elaborado pelo ministro da Justiça Joaquim António de Aguiar em 1834 após sanção daquele monarca.
Filho de William Greaves, proprietário e cônsul no Faial de vários países europeus, (Inglaterra, Rússia, Noruega, Dinamarca e Sardenha) o que lhe garantia avultados proveitos materiais pela correspondente consignação de navios dessas nações e de D. Francisca Luísa Greaves, Henrique da Pureza Greaves nasceu na Matriz da Horta a 30 de Novembro de 1805.
Silveira Macedo (1818-1891), que certamente bem o conheceu, escreveu que “a inclinação que desde a infância manifestou para a ordem franciscana decidiu sua mãe, então já viúva”, a permitir que nela ingressasse.
Professou no ano de 1821, contando apenas 16 anos de idade. Ordenado presbítero em 1829, logo recebeu “ordens de pregador em que se tonou notável”. Extinta a congregação a que pertencia, foi colocado como beneficiado na Matriz da Horta e nomeado pároco da mesma em 25 de Junho de 1845. Recebeu a dignidade de cónego honorário por carta régia de 12 de Maio de 1866.
Faleceu a 27 de Novembro de 1873, “chorado por todos os que o conheciam, pois pela sua eloquência no púlpito, gravidade no exercício das sagradas funções do seu ministério, zelo pela religião, afabilidade para com todos e sobretudo pela prática da sublime virtude da caridade segundo o preceito do Evangelho, era geralmente muito estimado e por isso o sentimento da sua perda foi geral”1.

De igual modo se pronunciou o conceituado semanário “O Fayalense”, assinalando o unânime sentimento que a sua morte provocou. O “espírito religioso e as suas maneiras lhanas e afáveis, ganharam-lhe a estima popular”, contando-se “agora numerosos factos de caridade que honram a sua memória”.
Viveu e morreu pobre. Daí que o seu funeral tenha sido muito participado “por todas as classes da sociedade”, nomeadamente pelos irmãos da Ordem Terceira de S. Francisco, “de que ele sempre foi um extremo protector”, por algumas irmandades e “quase todos os vigários, ou seus representantes, das freguesias rurais”. Os ofícios fúnebres, realizados na igreja Matriz, foram “um testemunho eloquente da consideração em que era tido aquele sacerdote”2.
Esse testemunho ainda hoje se pode observar na seguinte inscrição da pedra tumular que quatro anos após a morte os amigos colocaram na sua campa do cemitério da Ordem Terceira do Carmo: “À memória do reverendo Henrique da Pureza Greaves / Vigário da Matriz do Santíssimo Salvador e Cónego honorário da Sé de Angra / Nasceu a 3 de Novembro de 1805 / Faleceu a 27 de Agosto de 1873/ Oferecido pelos seus paroquianos e amigos”.
O escritor Manuel Greaves em “Histórias que me contaram”, no capítulo intitulado “Frade e Pastor”, recorda o que lhe contava seu pai, “a propósito do seu padrinho e protector, o padre Henrique da Pureza Greaves, de origem inglesa, vigário e ouvidor da Matriz da Horta, que não só o educou, como lhe deu o seu apelido”.

Deste bondoso sacerdote escreveu o seu afilhado “umas comemorativas palavras no semanário ‘O Ocidente dos Açores’ de 28 de Agosto de 1898” reproduzidas naquele livro do celebrado autor de “Aventuras de Baleeiros” no “25.º aniversário do falecimento do venerando sacerdote, tão bom e querido de quantos o conheciam” que “quer na sua vida de padre, quer no convívio íntimo da família e dos amigos, a sua respeitabilidade e correcção no trato serviriam de modelo a quantos aspirassem a um viver tranquilo, rescendendo sempre uma atmosfera impregnada do odor balsâmico da caridade – virtude excelsa por que tanto se distinguiu aquele simpático vulto, sempre em dar socorro a quem dele carecesse”.
“Os pobres, especialmente os envergonhados, eram os que mais cuidado lhe mereciam (…) não tinha inimigos porque não sabia praticar o mal; a todos respeitava e dispensava o que pode um bom pároco”. Muito dedicado às cerimónias litúrgicas, sabia imprimir-lhe o maior respeito, fazendo-os “realçar com toda a singeleza e lustre, que tanto o distinguiam em todos os actos religiosos por ele exercidos”.
Padre exemplar e homem de bem, Henrique da Pureza Greaves terá sido, numa época em que as posições religiosas ainda eram bastante extremadas, um pioneiro do diálogo ecuménico. Exemplo da consideração em que era tido, o seu afilhado menciona “a cadeira certa que ele tinha, aos domingos, à mesa de jantar da família Dabney, protestantes estadunidenses” cujo chefe era, ao tempo, o cônsul Charles William Dabney3. Como que em reciprocidade, também o padre Greaves convidava os Dabneys para cerimónias festivas na igreja Matriz a que estes correspondiam.
Dos vários titulares que estiveram à frente dos destinos da igreja mãe do Faial, o padre Henrique da Pureza Greaves foi um dos que se destacaram pela palavra e pelo exemplo de vida. 

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

1 António Lourenço da Silveira Macedo, Fayalenses Distintos”, Boletim do NCH, 1959, pp. 73-74
2 O Fayalense, 31 Agosto 1873
3 Manuel Greaves, Histórias que me contaram”, Horta, 1948, pp.107-112

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