Gestão Raivosa

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Uma vez mais o IMAR. Admito que é com tremendo desgosto que volto a este assunto. E digo desgosto, porque apesar de tudo o que foi dito, escrito e debatido acerca do tema, acabou por trazer, na espuma dos dias, uma aparente acalmia. Na verdade, nada mudou.
O “chefe da repartição” continuou a sua vidinha. O problema é que nesta sua vidinha não há lugar a qualquer projecto, a qualquer perspectiva de dinamização, a qualquer horizonte, rasgo, motivação ou ambição que permita a este “núcleo” de investigação na Horta manter-se na vanguarda do que melhor se faz na ciência marinha.
Com a janela de oportunidade que foi criada pela nova legislação aplicável aos centros de ciência, mesmo que atabalhoadamente, para que novos quadros entrassem na instituição, o que é que foi feito nesse sentido? E o que se passa com o Arquipélago e com o Águas Vivas? O projecto de gestão é deixar cair tudo?
Mas, enquanto a investigação mais pura é uma preocupação e um problema que nos deveria mobilizar por forma a permitir um crescimento deste polo e torná-lo, quiçá, num dos maiores empregadores da ilha, o que ainda é premente é a situação do Programa Nacional de Recolha de Dados de Pesca (PNRD).
Felizmente nem toda a gente está adormecida! A jornalista Susana Silveira fez uma reportagem, transmitida no passado dia 04.Mar.2018 na RTP Açores, onde tentou perceber o ponto da situação do PNRD. O que se ficou a saber é que impressiona!
Ficou-se a saber então que a principal preocupação deste gestor – permitam-me abusar do termo – foi despedir funcionários. Porquê? Porque eram um mero objecto de arremesso no braço de ferro com o Governo Regional (GRA). Este gestor – também não disse que era bom – não poderia manter um projecto, que era praticamente financiado na sua totalidade por fundos europeus (FEAMP), sem a margem de lucro da sua instituição! Como o FEAMP não lhe dava o seu quinhão, o GRA, através da Secretaria do Mar, Ciência e Tecnologia (SRMCT) tinha que se chegar à frente, ou então rolavam cabeças. A SRMCT não se chegou à frente, despediu, portanto, os investigadores.
Entretanto, apesar de devidamente alertado, despediu as pessoas e não quis saber se havia um relatório da actividade desenvolvida. Mesmo que, segundo ele, essa actividade tenha sido desenvolvida sem ter sido contratualizada.
E o relatório, é importante? Pois, o relatório é de extrema importância para aquilo que são os compromissos assumidos com a República e com a Comunidade Europeia, e de extrema importância para aquilo que possa vir a ser a quota pesqueira da região, num sector de vital importância económica para o arquipélago.
Mas não só, sem o relatório, também o IMAR fica impossibilitado de reaver o investimento feito ao longo de 2017 nestes investigadores e neste programa. Estaremos a falar de valores na ordem das três centenas de milhar de euros.
De qualquer das formas, isso é de somenos importância para este portentoso gestor. O que se passa é que o GRA ainda lhe deve uns trocos (por coincidência, e de acordo com a resposta a um requerimento do CDS no mês de Novembro de 2017, um valor semelhante ao que ele pretende agora abdicar do FEAMP), e assim sendo, não há problema em ficar com o prejuízo, porque ganha o jogo do que fica mais tempo sem pestanejar.
Também se sabe que o IMAR, fruto de adiantamentos de capital que lhe foram concedidos no âmbito do mesmo programa (PNRD) antes da alteração legislativa de 2016, deve uns dinheiros ao Governo, mas também toda a gente conhece o funcionamento do cérebro de um chefe de repartição, não há acertos de contas, cada um paga o que deve se não dá confusão.
Já agora, aproveito para perguntar ao deputado municipal do PAN se já percebeu o que se passa, e se não considera isto gestão danosa. Eu digo mais, é gestão raivosa, uma vez que se prende, sobretudo, num ódiozinho de estimação que o Presidente do IMAR tem pelo seu ex-delfim…
É danoso para o Faial porque fomentou o desemprego. É danoso para os interesses dos pescadores da ilha, para os interesses regionais e nacionais. É ainda danoso para o IMAR, uma vez que deliberadamente e conscientemente – mesmo que de uma inconsciência atroz – poderá estar a delinquir a própria imagem e capacidade de este permanecer activo até à concretização do OKEANOS como instituto.
O pior, lá está, é que as atitudes deste (ir)responsável estão directamente interligadas com o declínio da pujança e magnitude que o IMAR/DOP-UAc vinham a imprimir na propalação do Faial e dos Açores no mundo da ciência.
É impressionante, no entanto, o estado inamovível, a perenização infindável – passo a redundância – no cargo, de alguém que neste particular, nada construiu. Perante isto, fico com a nítida sensação de que se caísse uma bomba atómica apenas sobreviveriam as baratas e Hélder Silva

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