Com representantes destes…

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1 A questão das acessibilidades ao Faial, pedra de toque do nosso desenvolvimento, é um dos exemplos em que sempre defendi a necessidade de, nesta ilha, falarmos todos a uma só voz, na defesa intransigente de algo que é fulcral para o nosso futuro como comunidade.
Mas, por aquilo que me é dado apreender, estamos a chegar a um ponto em que os consensos locais, não passam, cada vez mais, de hipocrisias e de falsos unanimismos para consumo interno e sem nenhum efeito ou consequência, pois esgotam-se nessa instância e barram num muro regional de incompreensão e má vontade.
2Quantas vezes o Conselho de Ilha do Faial, a Assembleia Municipal da Horta e, mesmo, a Câmara Municipal da Horta, em deliberações unânimes, tomaram posições na defesa dos interesses do Faial neste domínio das acessibilidades? Têm sido mais que muitas!!! E repetidas muitas vezes no seu conteúdo.
E para que serviram?
Qual a recetividade que tiveram junto do poder político regional?
Por exemplo, defendeu-se a ampliação da pista do Aeroporto da Horta e o cumprimento das promessas eleitorais feitas aos faialenses. E o que respondeu o poder político regional? Isso é competência do Governo da República! E lavou, como Pilatos, as mãos de uma promessa que foi ele, poder político regional, que fez em 2004!!!
Defendeu-se a manutenção de 14 voos semanais da SATA Internacional nas ligações a Lisboa no Verão IATA. E o que responde o poder político regional, via SATA? Reduza-se! Reduza-se sempre! Em 2018 já serão só 9!!!
3 Mas impõe-se que as pessoas, aqui, no Faial, se interroguem porque é que isto acontece connosco? Porque não somos atendidos nas nossas mais importantes reivindicações, defendidas publicamente pelos próprios apoiantes do poder regional nos órgãos autárquicos locais? Porque é que o Governo Regional é surdo e insensível às nossas pretensões coletivas?
Entendo que há várias razões para que o Faial não seja tido em conta, como devia, pelo poder regional instituído.
Desde logo, por responsabilidade direta dos Faialenses. O atual poder regional já foi submetido a eleições por cinco vezes. Em 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016. E só por 2 vezes (2004 e 2016) é que a maioria dos Faialenses não deu o seu voto aos atuais detentores do poder na região. Enquanto, aqui, no Faial, os eleitores não se convencerem que as políticas só se mudam com uma mudança de voto, não teremos aprendido nada com o que nos tem acontecido. Isto é, por outras palavras: temos o que temos, porque aqui no Faial ajudámos, com o voto da maioria dos eleitores faialenses, a apoiar estas políticas que nos deixaram para trás!!!
Por outro lado, a insensibilidade do poder regional às questões da nossa ilha resulta diretamente da absoluta irrelevância regional dos seus apoiantes e das suas estruturas no Faial. Quem é o dirigente local ou responsável político da área do poder, que é ouvido e tem peso e influência na estrutura decisória do governo regional?
As estruturas e os representantes locais do poder regional estão maioritariamente dominados por dependentes dos cargos que ocupam, verdadeiras “vozes do dono”, incapazes de bater o pé e de fazer valer os argumentos em defesa dos nossos interesses ou das nossas posições que contrariem as orientações superiores.
Vivem na ilusão de que negoceiam e defendem o Faial no silêncio dos gabinetes e nas conversas pessoais com quem manda. E quando se encontram com a realidade fazem exercícios dignos de verdadeiros malabaristas para descortinar uma visão positiva da abençoada governação regional (veja-se o mais recente exemplo de querer subverter a realidade das dormidas no Faial, falando do crescimento do alojamento local de 2016 para 2017 (21,9%) e do crescimento da hotelaria tradicional de 38% nos últimos cinco anos – tudo isto para não reconhecer que de 2016 para 2017 o crescimento da hotelaria tradicional no Faial foi o pior dos Açores, a seguir ao Corvo [1,1%]).
Por tudo isto, parece-me que as estruturas locais apoiantes do poder regional sofrem de grave doença bipolar: quando estão sentados nos órgãos autárquicos locais, enchem-se de coragem e partilham consensualmente posições importantes de defesa do Faial e dos Faialenses. Chegados aos órgãos regionais do poder, ou ao próprio Plenário do Parlamento dos Açores, esses representantes já não dizem nem fazem o mesmo que os seus correligionários disseram e fizeram…
Finalmente, a menorização do Faial no contexto regional é o resultado de estratégias de hegemonia política e económica de quem pretende impor nos Açores uma visão unipolar do desenvolvimento, que se foi progressivamente afirmando nos gabinetes da administração e no poder político, de forma silenciosa e aparentemente irreversível. E para a concretização dessa estratégia, tem vindo a surgir várias medidas que, no dizer de um ilustre deputado municipal, e sem exagero, configuram um verdadeiro “terrorismo económico” contra o Faial e contra os seus interesses no contexto regional.
4 Finalmente, uma perplexidade sobre o hipotético interesse da Ryanair em voar para uma terceira ilha dos Açores.
E essa perplexidade tem a ver com o papel dos nossos representantes. Os eleitores do Faial escolheram um presidente de câmara, uma vereação, deputados regionais e municipais para defender quem? Para lutar pelos interesses de quem? Para fazer força e criar condições para que os investimentos se realizem preferencialmente onde?
É que a dúvida me assaltou quando ouvi alguns desses responsáveis dizerem mais ou menos a mesma coisa: “a Ryanair para o Faial ou para o Pico, isso não interessa. Interessa é que venha!”
Mas nós, Faialenses, escolhemos estes representantes foi para nos defenderem ou não? Foi para lutarem pelo que é melhor para o Faial ou não?
Fiquei gelado (e não foi do frio que tem feito!!!) ao ouvir representantes eleitos pelos Faialeneses dizer que não interessa se o aeroporto a ser escolhido para a operação daquela companhia é ou não o do Faial. Então se isso não interessa, o que é que concretamente interessa? Ficarmos a ver passar os aviões???
Com representantes destes… 

04.03.2018

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