“Golpe de Estado em Lisboa?”

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Os matutinos “Cor-reio dos Açores” e “Açores” (Ponta Delgada), “Diário Insular” (Angra do Heroísmo) e “O Telégrafo” (Horta), nas três capitais dos ex-distritos autónomos do arquipélago dos Açores, imprimiram as suas edições de 25 de abril de 1974 desconhecendo ainda, naturalmente, o significado da data.

Na cidade da Horta, a edição nº22.355 do jornal “O Telégrafo” opinava sobre os interesses locais e sob a assinatura de “Um Velho Assinante”, com o título “Horta Porto Livre”: “No Faial já muito se tem feito para se criar uma boa imagem turística de todas as ilhas do distrito, mas ainda há muito por fazer e agora que temos à frente do Distrito uma individualidade dinâmica empenhada na promoção sócio-económica das nossas ilhas, cremos com o maior optimismo que chegou o momento de lutarmos com todas as nossas forças, para conseguirmos que toda a Ilha do Faial seja considerada ZONA LIVRE DE IMPOSTOS e, então, temos a certeza absoluta de que uma nova era começará e de que o Faial, então, poderá competir com as mais reclamadas zonas turísticas do mundo.”

Foram os vespertinos das três cidades açorianas – “Diário dos Açores”, “A União” e “Correio da Horta” – que gravaram nas suas edições do próprio dia 25 de Abril de 1974 o limiar da nova era, com base nas primeiras informações das agências nacionais e das rádios regionais, embora ainda num breve registo de timidez e prudência.

Em Ponta Delgada, o “Diário dos Açores” imprimia no centro superior da capa da sua edição nº28.472 a informação difundida pelo Rádio Clube de Angra, sob o título “Movimento Militar no Continente”:

“Angra do Heroísmo, 25 – Segundo notícias provenientes de diversas origens, podemos informar que se estabeleceu, às 4 horas de hoje, no continente, um movimento de militares que se intitula “Movimento das Forças Armadas”. O Rádio Clube Português foi tomado pelas forças deste movimento, tendo difundido apelos para que a população se mantenha calma. Entretanto, reina calma em todo o território do continente. – R.C.A.”

Em Angra do Heroísmo, “A União” até duvidava em título da notícia que remeteu para o canto inferior direito da primeira página da sua edição nº23.489 – “Golpe de Estado em Lisboa? Movimento das Forças Armadas”:

“As primeiras informações do movimento militar, necessariamente confusas e ambíguas, indicavam como unidades sublevadas as pertencentes à guarnição de Infantaria, localizadas a 80 kms de Lisboa, e o Regimento de Caçadores nº5, aquartelado na Capital. Esta unidade ocupou a Emissora do Rádio Clube Português, através do qual difundiu um comunicado em que se mostram dispostos a combater e a não retroceder perante a luta que possa vir a desencadear-se. O comunicado terminou com “Viva Portu-gal”. Denomina-se “Movi-mento das Forças Arma-das”.

Já na cidade faialense, o “Correio da Horta” só conseguiu inserir uma breve na última página da sua edição nº12.555, com o título “Movimento Militar” e com o lead “Segundo informou a Agência ANI, esta manhã registou-se em Lisboa uma subversão cujas principais características são ainda desconhecidas”.

A principal notícia na primeira página do vespertino faialense de 25 de abril de 1974 intitulava-se “O Chefe do Distrito homenageou com um almoço o Embaixador dos Estados Unidos” e iniciava-se com a informação de que “O ponto alto da visita do Embaixador dos Estados Unidos ao Faial foi, sem dúvida, o almoço na Estalagem de Santa Cruz, oferecido pelo Governador, dr. Sanches Branco, de homenagem ao ilustre diplomata e à sua Exma. Esposa”…

 

       

 

 

 

 

 

 

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