Tempo Carnavalesco

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Comparando os tempos da juventude com os de hoje desde menino, lembramo-nos ainda, com saudade, ora de assistir, ora de participar, com verdadeiro entusiasmo, nos folguedos próprios da quadra carnavalesca, exuberantemente vivida quer pelas gentes citadinas, quer pelas do campo.

Vivemos toda a nossa juventude na ilha do Faial e acodem-nos à memória, eventos únicos vividos desde tenra idade.

Ainda bemmenino recordamo-nos do medo que experimentávamos, quando um qualquer mascarado  se aproximava, pretendendo “mimosear-nos”, com as suas estranhas “piruetas”.

Recordamos, igualmente, os aplausos que prodigalizávamos perante uma qualquer “dança”, que se exibia com garbo e ostentação. E eram várias ao tempo, ao redor da ilha, algumas delas descendo à cidade e exibindo-se, preferencialmente nas Praças do Infante e da República.

Por vicissitudes várias o número de danças foi decrescendo enquanto que nas sedes dos Clubes, das Associações, das Filarmónicas e até de Institui-ções Recreativas, as “danças” iam proliferando, abrilhantadas, já então por conjuntos musicais locais.

Assim acontecia em várias freguesias da ilha azul ao tempo, densamente povoadas de juventude, sempre ansiosa por divertimentos.

Na cidade, eram os Clubes Desportivos, algumas sociedades, como o Grémio Artista e os empregados do Comércio e a aristocrática Sociedade Amor da Pátria, sem dúvida uma sociedade única, nas ilhas, que patenteavam os apreciados “bailes de salão”, alguns deles primando pelas exibições artísticas,  conseguidas no meio local.

Recordamo-nos com saudadeesses tempos idos, em que os bailes tinham hora certa de começar e era notório todo um “rol” de diligências que se suportavam, para abrilhantar, com a arte e o entusiasmo possíveis, as diferenciadas danças, tanto ao gosto dos jovens e dos menos jovens.

Assistimos e participámos, ao longo da nossa juventude, a inúmeros bailes e até “assaltos”, que nos deixaram indeléveis “marcas”, as quais ainda perduram, mas quase desapareceram do conceito atual de diversão.

Entre tantos e tão divertidos serões dançantes, alguns permanecerão, para sempre, na nossa já velha mente, lembramos, também, os Clubes citadinos que eram geralmente a “casa” acolhedora dos idos assaltos.

Entre todos os conjuntos musicais existentes, é justo referenciar o “Sem Rei, nem Roque” que, com elevada mestria, abrilhantava festas e bailes seletos, na afamada Sociedade Amor da Pátria, cujas salas se enchiam de gente em trajes de gala, impressionando pela riqueza dos vestuários, pela esmerada cortesia e pela arte que imprimiam nas danças que, de atrativas, eram profusamente aplaudidas.

Hoje, ao que reconhecemos, as diversões carnavalescas continuam a manter uma visibilidade louvável, mas agora nos “corsos estudantis”, que se exibem pelas ruas principais, nas matinés, aonde as crianças exibem trajes riquíssimos e nos aplaudidos e admirados bailes de fantasias, ainda profusamente participados.

 

 

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